Brasília, 24 de julho de 2026 – O economista Armínio Fraga, que presidiu o Banco Central entre 1999 e 2003, afirmou que o Brasil apresenta sinais típicos que antecedem uma recessão econômica e responsabilizou o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por agravar o ambiente macroeconômico.
As declarações foram publicadas na seção Páginas Amarelas da revista Veja desta semana. Segundo Fraga, a combinação de alta inadimplência das famílias, dificuldade de empresas rolarem dívidas e encurtamento dos prazos dos títulos públicos indica um quadro de crescente fragilidade.
Sinais de alerta
Fraga destacou que muitas companhias recorreram a instrumentos de securitização para se financiar e agora encontram barreiras para alongar os compromissos. “O próprio governo está encurtando o perfil de sua dívida, o que é um sinal claríssimo de que a situação está difícil”, disse. Ele observou que o Tesouro evita emitir papéis de 30 anos indexados à inflação com juro real próximo de 8% ao ano, movimento que, na avaliação dele, eleva o risco de rolagem futura.
Gastos em ano eleitoral
O ex-presidente do BC afirmou ainda que Lula é favorito nas eleições de outubro, mas questionou o preço da possível reeleição. Ele comparou o cenário atual ao último ano de governo de Dilma Rousseff, quando, segundo ele, houve expansão de gastos para assegurar a vitória nas urnas e ocultação de problemas fiscais.
“Sei que é difícil para o presidente aceitar, mas há uma certa semelhança com o governo de Dilma Rousseff, quando foi feito um grande esforço para vencer a eleição, estourando as contas de uma maneira espetacular”, declarou.
Crítica à narrativa de austeridade
Fraga contestou a tese de que o país adota política fiscal austera. Para o economista, o aumento da despesa pública de cerca de 25% para 33% do PIB nas últimas quatro décadas demonstra ausência de contenção. Ele também criticou o descumprimento de regras do novo arcabouço fiscal pelo próprio Executivo.
A reportagem da Gazeta do Povo informou ter procurado a equipe de campanha do presidente Lula para comentar as declarações. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto.
Com informações de Gazeta do Povo