A divulgação parcial de documentos do caso Master trouxe à tona detalhes sobre a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Os registros, obtidos pela Polícia Federal, revelam comunicações frequentes entre os dois, incluindo mensagens trocadas nas vésperas da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
Um dos pontos destacados nos documentos é uma mensagem enviada por Vorcaro a um contato identificado como Alexandre de Moraes, na qual ele questiona se deveria deixar o Brasil antes de uma data específica, indicando que tinha conhecimento de uma possível operação policial contra ele. Contudo, as mensagens disponíveis não mostram as respostas do ministro.
Além das comunicações, a investigação aponta para um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre. Firmado em janeiro de 2024, o acordo estipulava o pagamento em 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões, isentas de impostos. Metadados dos arquivos digitais sugerem que um usuário registrado como ‘Ministro Alexandre de Moraes’ editou versões da minuta do contrato antes da assinatura final.
Os registros também indicam a existência de uma proposta de contrato adicional, no valor de R$ 50 milhões, que envolvia a transferência de cotas de um jatinho e um helicóptero como parte do pagamento. Entretanto, a defesa do escritório Barci de Moraes afirma que esse segundo contrato não foi formalizado.
A Polícia Federal identificou ao menos oito encontros entre Vorcaro e Moraes em eventos sociais ou jurídicos entre 2023 e 2025. Um desses encontros ocorreu em Campos do Jordão, antes de Vorcaro ter negócios com a esposa do ministro. Mensagens de colaboradores de Vorcaro mencionavam a organização de um espaço especial para convidados, referindo-se a uma figura chamada ‘Alex’. Além disso, Vorcaro teria consultado o ministro sobre a programação de seminários jurídicos promovidos pelo banco.
Esses novos dados geram questionamentos sobre a natureza da relação entre o ex-banqueiro e o ministro do STF, à medida que as investigações continuam.
Fonte: Gazeta Do Povo.