A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (10), a Operação Make Up, que investiga Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. Karina, de 46 anos, é proprietária da Go Up Entertainment, uma produtora que surgiu de uma parceria entre a brasileira GO7 e a americana UP Tone Pictures.
A empresária também preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que, em pouco tempo, passou de organizadora de eventos culturais a responsável por contratos milionários com a Prefeitura de São Paulo. Natural da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, Karina sempre esteve ligada à comunidade evangélica, atuando anteriormente na produção de eventos para igrejas e em projetos de literatura cristã.
O ICB, fundado em 1990, tem Karina como presidente desde 2014 e começou a receber emendas de vereadores evangélicos da capital. O envolvimento dela com políticos se intensificou durante o governo de Jair Bolsonaro, especialmente com o deputado Mário Frias (PL-SP), com quem se relacionou a partir de 2020.
Em 2022, a GO7 Assessoria, empresa de Karina, recebeu R$ 54 mil para serviços na campanha de Frias. No ano seguinte, o deputado alocou R$ 2 milhões em emendas para o ICB, destinadas a projetos sociais no interior de São Paulo. A Operação Make Up investiga possíveis desvios desses recursos.
Em sua defesa, Mário Frias, que também é produtor executivo de “Dark Horse”, negou irregularidades e afirmou que as investigações são uma “cortina de fumaça”. O ministro Flávio Dino, do STF, autorizou a operação após indícios de que uma organização criminosa poderia ter desviado verbas federais para o ICB e a Academia Nacional de Cultura, ambas sob a liderança de Karina.
A trajetória de Karina no terceiro setor também está ligada a contratos com a prefeitura. Desde 2018, o ICB firmou acordos que incluíam a realização de eventos literários e, em 2024, foi a única entidade a participar de um chamamento público para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi em áreas periféricas, com um contrato inicial de R$ 108 milhões.
Embora a investigação aponte falhas na execução dos serviços, a prefeitura rebateu as acusações, afirmando que os valores pagos correspondem aos pontos efetivamente instalados. Karina, em declarações anteriores, afirmou que sua atuação em “Dark Horse” se limitou à produção do filme e que desconhecia quem eram os financiadores do projeto.
Após a operação, ela apresentou uma reclamação constitucional ao STF buscando garantir a legalidade do processo investigativo. A defesa ressalta que a reclamação não contesta o mérito da investigação, mas sim o cumprimento de normas processuais.
Fonte: Gazeta Do Povo.