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Embaixador diz ter sido surpreendido por recusa italiana em extraditar Carla Zambelli

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Roma – O embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca, afirmou neste sábado (23) que recebeu “com surpresa” a decisão da Corte de Cassação de Roma que rejeitou a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A ex-parlamentar, presa na capital italiana desde julho de 2025, deixou a cadeia na última sexta-feira (22) após quase dez meses detida.

A Corte de Cassação aceitou recurso apresentado pela defesa e anulou, sem possibilidade de reapreciação, a sentença de março que determinava o envio de Zambelli ao Brasil para cumprir pena de dez anos por suposta invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com o hacker Walter Delgatti.

“Estamos aguardando as alegações dessa decisão para entender por que houve essa mudança brusca de entendimento”, declarou Mosca em entrevista publicada pela Folha de S. Paulo. Segundo o diplomata, o Ministério das Relações Exteriores recebeu o veredicto “com naturalidade”, mas ainda busca conhecer os fundamentos adotados pelos magistrados italianos.

Mosca lembrou que, até então, a Corte de Apelação havia emitido pareceres favoráveis à extradição e que, em geral, a Corte de Cassação confirma esse entendimento, “a menos que exista um vício de origem ou questão formal grave”. O curto comunicado divulgado pelo tribunal, porém, limitou-se a afirmar a “inexistência de condições” para atender ao pedido brasileiro, sem detalhar os motivos.

Defesa fala em perseguição política

Em conversa com a Gazeta do Povo, o advogado Fabio Pagnozzi, que representa Zambelli, disse que o judiciário italiano reconheceu a ex-deputada como “perseguida política”. O defensor acrescentou que ela pôde retornar à sua residência em Roma ainda na sexta-feira.

Pagnozzi alegou, no processo, parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, supostas condições prisionais inadequadas no Brasil e a inexistência, na legislação italiana, de delito equivalente ao crime de invasão de dispositivo informático.

Apesar da decisão favorável, a palavra final sobre o caso cabe ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, que tem até cerca de 45 dias para confirmar ou não a recusa da extradição.

Com informações de Gazeta do Povo