O programa federal Move Brasil, lançado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva para renovar a frota de taxistas e motoristas de aplicativos, prevê até R$ 30 bilhões em financiamentos e pode consolidar a expansão de fabricantes chinesas no mercado nacional, como BYD, GWM e Geely.
Financiamento integral, juros reduzidos
Pelas regras publicadas, o crédito pode bancar 100% do valor do veículo, tem carência de seis meses e juros limitados a 12,6% ao ano — menos da metade da taxa média cobrada atualmente para esse tipo de operação. O programa aceita modelos de até R$ 150 mil, faixa onde estão concentrados muitos elétricos e híbridos de origem chinesa.
Produção nacional não é exigida
Embora inclua carros flex, o regulamento não restringe a participação a veículos produzidos no Brasil. Podem ser financiados automóveis importados prontos ou montados em regime CKD e SKD. Os recursos são administrados pelo BNDES, mas a liberação depende da análise de risco dos bancos credenciados, que seguem livres para recusar propostas.
Estoque recorde favorece marcas da China
O lançamento oficial do Move Brasil, em 19 de maio, com início das operações em 19 de junho, coincidiu com um aumento dos estoques de importados. Segundo a Anfavea, havia 329 mil unidades em pátios brasileiros em maio, boa parte procedente da China. Antes da elevação da tarifa de importação para veículos prontos, montadoras aceleraram o envio de unidades ao país para aproveitar a alíquota menor.
Setor calcula 200 mil carros extras em 2026
A Fenabrave projeta que o novo programa poderá acrescentar cerca de 200 mil veículos às vendas do setor em 2026. Entretanto, executivos de montadoras tradicionais e a própria Anfavea defendem que incentivos priorizem a produção local para evitar vantagens a importados.
Benefícios fiscais mantidos para kits desmontados
A preocupação aumentou após a Camex prorrogar, no mês passado, a alíquota zero para a importação de kits CKD e SKD, limitada a US$ 463 milhões. A decisão favorece empresas em fase de instalação, como a BYD, que ergue fábrica em Camaçari (BA).
BYD já é a quarta marca mais vendida
Os números confirmam o avanço chinês. A BYD saltou de 260 unidades vendidas em 2022 para 21.704 emplacamentos em maio de 2026, alta superior a 5.500%. No mesmo mês, alcançou 10,11% de participação nas vendas de automóveis e tornou-se a quarta maior marca do país. Elétricos e híbridos já respondem por 19,5% dos emplacamentos de veículos leves.
Busca na internet reflete interesse
No Google Trends, o termo “Move Brasil” atingiu o índice máximo de 100 em 19 de junho, data em que o programa começou a operar. No mesmo dia, “BYD” marcou 73 pontos, enquanto “carro elétrico” e “financiamento de veículo” ficaram com 9 e 1, respectivamente.
Com a linha de crédito robusta, juros abaixo da média e regras que permitem importar veículos prontos ou em kits, o Move Brasil reforça o terreno fértil para a expansão das montadoras chinesas no país.
Com informações de Gazeta do Povo