As conversas diretas entre Estados Unidos e Irã realizadas em Islamabad, capital do Paquistão, terminaram na madrugada de domingo (12) sem qualquer entendimento para pôr fim à guerra iniciada há 40 dias no Oriente Médio. Após mais de 21 horas reunidas no Hotel Serena, as delegações deixaram o local sem confirmar se haverá nova rodada de diálogo.
A reunião foi mediada pelo chanceler paquistanês Ishaq Dar. A delegação norte-americana foi chefiada pelo vice-presidente J.D. Vance, acompanhado do enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e de Jared Kushner. Pelo lado iraniano participaram o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chanceler Abbas Araghchi.
Trégua temporária corre risco
O fracasso gera incerteza sobre o cessar-fogo de duas semanas, em vigor desde terça-feira (7) e com término previsto para 22 de abril. A pausa havia sido articulada pelo Paquistão para permitir o encontro entre as partes.
O que cada lado propôs
Proposta dos EUA (15 pontos): desmantelamento do programa nuclear iraniano; reabertura permanente do Estreito de Ormuz, bloqueado por Teerã desde o início da guerra; e fim do apoio iraniano a grupos como o Hezbollah.
Proposta do Irã (10 pontos): manutenção do controle do Estreito de Ormuz; encerramento dos ataques israelenses contra aliados de Teerã; levantamento de sanções econômicas; e pagamento de reparações pelos danos causados por Washington e por Israel.
Pontos de bloqueio
Segundo fontes paquistanesas ouvidas pela agência Associated Press, houve avanços pontuais, mas três temas permaneceram intransponíveis:
- Programa nuclear: Washington exige garantia “clara e afirmativa” de que Teerã não buscará arma atômica. O Irã alega ter fins civis e reivindica direito ao enriquecimento de urânio.
- Estreito de Ormuz: Antes do bloqueio, 20% do petróleo mundial passava pela rota. Os EUA exigem reabertura total; o Irã trata o estreito como principal instrumento de pressão.
- Ataques israelenses no Líbano: Teerã quer que Washington pressione Israel a cessar os bombardeios contra o Hezbollah. Os norte-americanos se recusam a vincular os temas.
Ameaças após o colapso das tratativas
Horas depois do impasse, o presidente Donald Trump anunciou no Truth Social o bloqueio naval do Estreito de Ormuz, ordenou à Marinha interceptar navios que tenham pago pedágio ao Irã e iniciou a remoção das minas colocadas no local. “Qualquer iraniano que nos dispare, ou que dispare contra embarcações pacíficas, será enviado ao inferno”, escreveu. Em outra postagem, prometeu “terminar com o pouco que resta do Irã” no momento apropriado.
A Guarda Revolucionária respondeu que o estreito está “sob controle total” de suas forças e alertou que eventuais ofensores ficariam “presos em um vórtice mortal”. Trump também ameaçou impor tarifas de 50% à China caso se confirme o envio de sistemas antiaéreos chineses ao Irã, informação negada por Pequim.
Repercussão internacional
O chanceler paquistanês afirmou que Islamabad continuará mediando e pediu respeito à trégua vigente. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, fez apelo semelhante. Do lado iraniano, Ghalibaf declarou que os EUA são “incapazes” de conquistar a confiança de Teerã, mas ressaltou que “a diplomacia nunca termina”.
Com a trégua expirando em 22 de abril, Washington precisará decidir se mantém o canal diplomático ou retoma a ofensiva militar que pressiona preços de combustíveis e o cenário político doméstico às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA.
Com informações de Gazeta do Povo