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PF reafirma ao STF que Bolsonaro não interferiu em investigações durante o mandato

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Brasília — A Polícia Federal enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um novo relatório que, pela segunda vez, conclui que o ex-presidente Jair Bolsonaro não interferiu em apurações conduzidas pela corporação ao longo de seu governo.

O documento, assinado pelo delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo e protocolado em 2 de abril de 2026, integra o inquérito aberto em 2020 após a saída do então ministro da Justiça Sergio Moro. À época, Moro acusou Bolsonaro de pressioná-lo a trocar o comando da PF para ter acesso a informações sigilosas referentes a investigações que atingiam familiares e aliados.

Primeira tentativa de arquivamento

Em 2022, a então vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, solicitou o arquivamento do inquérito com base em um parecer anterior da PF que não identificara ingerência do Planalto. Apesar disso, Moraes manteve o procedimento aberto.

PGR pediu reabertura

O processo voltou a avançar em outubro de 2025, quando o atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, requereu novas diligências. Moraes, então, determinou a elaboração de um segundo relatório — agora entregue — que novamente não encontrou indícios de intervenção.

Investigações sob relatoria do STF

No parecer, o delegado Melo destacou que as principais investigações mencionadas por Moro — os inquéritos das fake news (INQ 4.781) e dos atos antidemocráticos (INQ 4.828) — eram conduzidas diretamente pelo gabinete de Moraes, sem passar pelo diretor-geral da PF. Questionado, o próprio ministro confirmou não haver registro de interferência presidencial nesses procedimentos.

Depoimentos e justificativas

O ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo, que comandava a corporação em 2019, declarou em depoimento que, por estarem sob a supervisão direta do STF, tais inquéritos não poderiam sofrer influência do Palácio do Planalto. Já Bolsonaro afirmou que pretendia substituir Valeixo pelo delegado Alexandre Ramagem porque suspeitava de vazamentos de informações internas.

Próximos passos

Mesmo com o novo laudo conclusivo, o inquérito segue formalmente aberto. Moraes encaminhou o relatório à Procuradoria-Geral da República para que Gonet apresente nova manifestação sobre um eventual arquivamento.

Com informações de Gazeta do Povo