Um levantamento divulgado nesta segunda quinzena de julho aponta que a carência de obras e manutenção em estradas, portos, energia e saneamento impõe um prejuízo anual de R$ 284 bilhões ao Brasil. O valor corresponde a perdas de produtividade, elevação de custos logísticos e redução da competitividade de setores como indústria e energia.
Investimento abaixo do necessário
Para alcançar um patamar considerado adequado, o país precisaria aplicar 4,65% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura todos os anos, ao longo das próximas duas décadas. Em 2024, entretanto, os aportes somaram apenas 2,27% do PIB. Além de insuficiente, 61,7% desse montante foi destinado apenas à reposição de ativos depreciados, sem ampliar a rede de serviços.
Custo logístico funciona como “imposto”
Com rodovias esburacadas e portos operando acima da capacidade, o frete encarece a operação “da porteira para fora”. Setores como materiais de construção e óleo e gás chegam a gastar até 14% da receita só com transporte, percentual que mina a margem de lucro e dificulta a competição no mercado externo.
Rodovias dominam, mas em más condições
Mais da metade dos recursos destinados ao setor de transportes vai para rodovias, ainda majoritariamente sob administração pública. A qualidade precária do pavimento eleva os gastos com combustível e manutenção de frotas. Enquanto isso, hidrovias e ferrovias seguem estagnadas por falta de verbas ou por projetos considerados inviáveis.
Energia e saneamento
O segmento elétrico continua sendo o maior receptor de capital privado, porém o encarecimento das tarifas, associado a falhas na transmissão, compromete o avanço. Já o saneamento teve impulso após a aprovação de novo marco legal que facilita privatizações. O desafio agora é expandir o serviço, eliminar lixões e construir galerias pluviais para evitar enchentes que paralisam centros urbanos.
Entraves ao capital privado
Segundo o estudo, a insegurança jurídica e a interferência política nas agências reguladoras afugentam investidores. Com o Estado altamente endividado, os analistas apontam que parcerias com a iniciativa privada são essenciais para destravar os empreendimentos e reduzir o déficit de infraestrutura.
Com informações de Gazeta do Povo