Tóquio – Antigos dispositivos legais e fiscalização limitada fizeram do Japão um terreno fértil para agentes russos obterem tecnologia de ponta destinada ao esforço de guerra de Moscou na Ucrânia. A situação provoca constrangimento à primeira-ministra Sanae Takaichi e pressões de aliados ocidentais.
Quem são os envolvidos
Servidores do GRU, serviço de inteligência militar da Rússia, estariam operando na capital japonesa sob identidades falsas. Um veterano oficial atua disfarçado como funcionário da companhia aérea estatal Aeroflot, segundo autoridades ouvidas pela reportagem.
Como a tecnologia japonesa chega aos arsenais russos
Estimativas do governo ucraniano indicam que 90% dos mísseis e drones russos contam com componentes fabricados no Japão, país líder em semicondutores, sensores e robótica. Para burlar sanções, Moscou utiliza empresas de terceiros países e se beneficia do controle frouxo japonês sobre itens de uso dual, aplicáveis tanto a fins civis quanto militares.
Origem da vulnerabilidade legal
Após os excessos estatais da Segunda Guerra Mundial, a Constituição japonesa limitou drasticamente a vigilância interna, deixando brechas para a atuação de espiões estrangeiros. A falta de mecanismos punitivos robustos hoje motiva críticas de Estados Unidos e Austrália.
Resposta do governo japonês
O porta-voz Minoru Kihara reconheceu a necessidade de tratar a segurança nacional “com mais rigor”. O Parlamento já aprovou lei que cria um órgão central de inteligência para coordenar dados hoje dispersos em várias agências e coibir a obtenção clandestina de informações sensíveis.
Cautela nas relações bilaterais
Embora mantenha sanções rigorosas, Tóquio observa pequenos gestos de diálogo: parlamentares japoneses visitaram Moscou e eventos culturais russos ocorreram na capital japonesa com presença de representantes ligados ao Kremlin. Ainda assim, Sanae Takaichi reitera que o território japonês não servirá de suporte à ofensiva russa.
As novas medidas legislativas e a pressão externa devem definir os próximos passos do Japão para conter a espionagem e proteger sua indústria estratégica.
Com informações de Gazeta do Povo