O Brasil passou a ocupar, em julho de 2026, a segunda posição entre os países que pagam as maiores tarifas para exportar aos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China. A mudança decorre de novas sobretaxas adotadas pelo governo Donald Trump, que elevaram a tarifa média aplicada aos produtos brasileiros para 17,7% no mercado norte-americano.
Como funcionam as novas sobretaxas
Washington abandonou o modelo de alíquotas semelhantes para todos os parceiros e passou a aplicar sanções específicas. No caso brasileiro, o governo dos EUA aponta:
- decisões judiciais no Brasil consideradas prejudiciais a empresas de tecnologia norte-americanas;
- inconsistências nos setores de etanol e de proteção à propriedade intelectual;
- suspeitas de uso de trabalho escravo ou forçado na produção de determinados bens.
Esses argumentos serviram de base para sobretaxas adicionais que, em alguns casos, podem chegar a 37,5%.
Setores mais atingidos
As punições recaem principalmente sobre itens agropecuários e industriais. Produtos como couro, madeira, móveis, celulose, papel e equipamentos de informática enfrentam as maiores elevações de custo. Por outro lado, aviões, café, carnes e minérios ficaram fora das novas cobranças, o que permite que cerca de 85% das exportações brasileiras aos EUA continuem ingressando sem a alíquota máxima.
Reação das empresas brasileiras
Apesar da perda de competitividade nos Estados Unidos, as exportações do Brasil bateram recorde no primeiro semestre de 2026, alcançando US$ 184 bilhões. Empresas redirecionaram vendas para outros mercados, reduzindo a dependência do comprador norte-americano, que ainda ocupa a segunda posição entre os destinos dos produtos brasileiros, mas com participação em queda desde 2025.
Medidas do governo brasileiro
O governo Lula levou o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as sobretaxas violam as regras internacionais. Entretanto, o painel de apelação da OMC segue paralisado por bloqueio dos próprios EUA, limitando efeitos imediatos. Analistas avaliam que eventual recuo nas tarifas dependerá mais da pressão de companhias norte-americanas interessadas em insumos brasileiros mais baratos do que de negociações entre governos.
As tarifas entram em vigor integralmente ainda em 2026 e mantêm o Brasil como o segundo maior alvo de medidas protecionistas dos Estados Unidos.
Com informações de Gazeta do Povo