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Fachin define regras para julgamento que pode investigar Alexandre de Moraes

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, se reuniu ontem com o ministro André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para discutir os detalhes de uma sessão histórica agendada para a próxima terça-feira. Este encontro teve como objetivo estabelecer as diretrizes para o julgamento que poderá abrir uma investigação criminal contra o ministro Alexandre de Moraes.

A questão central que será debatida pelo tribunal é se deve ser instaurado um inquérito para apurar a relação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A tensão entre os ministros aumentou após um relatório da Polícia Federal revelar supostas conexões entre eles. Diante de decisões divergentes nas últimas semanas, Fachin decidiu intervir, suspendendo ordens anteriores e retirando Moraes da relatoria de um caso delicado, levando a análise para o plenário do STF.

Como não existem normas específicas na legislação brasileira para a abertura de inquéritos contra ministros em exercício, Fachin terá a responsabilidade de criar o procedimento desde o início. Ele precisará decidir, entre outras coisas, se Moraes poderá se defender antes da votação. Vale destacar que o ministro não poderá votar, uma vez que é o alvo da possível investigação. O tempo de fala do procurador-geral, Paulo Gonet, também será definido, e ele já manifestou sua oposição ao uso das provas atualmente disponíveis, alegando irregularidades na coleta das mesmas.

Os ministros enfrentarão três possíveis desfechos: a aceitação do argumento da Procuradoria-Geral da República, levando ao arquivamento do caso; a anulação das provas existentes, mas com a autorização para o início de uma nova investigação; ou, em uma situação mais grave, a abertura imediata do inquérito criminal, que poderia resultar no afastamento temporário de Moraes das suas funções no tribunal.

Na sessão, que contará com nove dos dez ministros, caso Dias Toffoli não se declare suspeito, serão necessários cinco votos para que a investigação seja iniciada. Expectativas indicam que Mendonça, Fachin e Fux podem apoiar a abertura do inquérito, enquanto Gilmar Mendes, Dino e Zanin devem votar contra. As decisões de Cármen Lúcia e Nunes Marques serão cruciais. Se a investigação avançar, Moraes poderá enfrentar medidas rigorosas, como quebra de sigilo bancário e busca em seus endereços.

Fonte: Gazeta Do Povo.