Um servidor do Ministério Público Federal (MPF) foi identificado por tentar esconder sua identidade em documentos oficiais durante consultas a investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. Segundo um relatório, a manobra do funcionário consistiu em utilizar um quadro em branco para ocultar seu nome e setor. A Polícia Federal (PF), no entanto, conseguiu rastrear que o servidor em questão é Daniel Iost, da Secretaria Regional das Procuradorias Digitais da 4ª Região, que cobre a Região Sul do Brasil.
O relatório indica que a ação do servidor revela uma intenção deliberada de ocultar sua identidade, possivelmente ciente das irregularidades no compartilhamento de documentos sigilosos. Essa informação se tornou pública após o ministro André Mendonça atender a um pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e derrubar o sigilo do caso Master.
A consulta feita ao CPF de Vorcaro revelou 15 procedimentos, dos quais 11 eram classificados como sigilosos. O servidor mencionou quatro investigações ativas, referindo-se a elas como “Gafisa, Milo RJ, ESH Tetha e Rondônia”, acrescentando que não havia novidades e que estavam “sobre aviso”.
Os documentos que chegaram a Vorcaro foram enviados por Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, que faleceu em março de 2026 após um incidente na prisão. Mourão era considerado um dos principais assessores do dono do Banco Master. Os diálogos e acessos ocorreram em julho de 2025, quando o servidor do MPF sugeriu que verificassem se Vorcaro queria que todos os processos relacionados ao BRB e ao Master fossem analisados, destacando que eram muitos e poderiam chamar atenção.
A resposta de Vorcaro foi clara: “Quero tudo. Atenção total”, ao que Mourão afirmou que “mandaria puxar geral”. A PF também identificou uma nova consulta feita pelo mesmo servidor utilizando o parâmetro “BRB AND MASTER”. Isso levou à conclusão de que, a partir de 23 de julho de 2025, Vorcaro começou a monitorar qualquer investigação relacionada às fraudes que envolviam o Banco Master e o BRB.
A Gazeta do Povo tentou contato com Daniel Iost por meio da Procuradoria Regional da República da 4ª Região (PRR4), mas não obteve resposta até o momento. O espaço permanece aberto para sua manifestação.
Fonte: Gazeta Do Povo.