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Imposto mais baixo e custos menores levam empresas brasileiras a instalar fábricas no Paraguai

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São Paulo – 30 de julho de 2026 – Uma combinação de carga tributária reduzida, encargos trabalhistas mais leves e energia elétrica barata vem empurrando companhias brasileiras para o Paraguai. Do ano passado para cá, grupos como Lupo, Döhler, Karsten, Kidy, Dass e JBS transferiram parte da produção ou anunciaram investimentos no país vizinho. Agora, a varejista Havan estuda abrir sua primeira loja fora do Brasil na região de Assunção.

Modelo fiscal 10-10-10 e Lei de Maquila

O principal atrativo é o sistema tributário paraguaio, baseado no chamado “10-10-10”: alíquotas máximas de 10 % para imposto de renda de pessoas físicas, de pessoas jurídicas e para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Além disso, a Lei de Maquila permite que indústrias voltadas à exportação paguem apenas 1 % sobre o valor agregado local, tenham isenção de imposto sobre dividendos e recebam facilidades para importar insumos e máquinas.

No fim de 2025, o programa foi reformado para acelerar adesões, incluir empresas de serviços e conceder benefícios por 20 anos, renováveis. Até 31 de dezembro, 339 companhias operavam sob esse regime, 231 delas brasileiras (68,1 %), segundo o Ministério de Indústria e Comércio do Paraguai.

Novos projetos na fila

Entre as interessadas em seguir o mesmo caminho estão a Adere (fitas adesivas), a Proeletronic (eletrônicos) e a Bralyx (máquinas para alimentos). Marcas como Cacau Show, Bauducco, Bom Sabor, Stepan Química e Ajinomoto já solicitaram informações sobre incentivos locais.

“O Paraguai tornou-se estratégico para quem busca competitividade sem perder a proximidade geográfica garantida pelo Mercosul”, afirma o advogado empresarial Daniel Cabrera.

Encargos trabalhistas mais leves

Embora o salário mínimo paraguaio — 3,044 milhões de guaranis, cerca de R$ 2,6 mil — seja superior ao brasileiro, o custo total da mão de obra é menor. A contribuição patronal ao Instituto de Previdência Social é de 16,5 % (no Brasil, 20 %) e não há recolhimento de FGTS, PIS/Pasep ou Sistema S. O acréscimo sobre o salário costuma variar de 25 % a 35 %, contra 60 % a mais de 100 % no mercado brasileiro.

Energia e ambiente de negócios

A tarifa industrial média no Paraguai é de US$ 41 por MWh, frente a US$ 113 no Brasil. De acordo com o tributarista Ivson Coêlho, mudanças recentes na legislação brasileira — como a reforma tributária, novas regras para offshores e o corte de incentivos — aumentaram a pressão sobre empresas de vários setores, em especial agronegócio e e-commerce, estimulando a mudança de operações ou a criação de holdings fora do país.

Migração de pessoas acompanha empresas

Atraídos pelo mesmo ambiente favorável, cidadãos brasileiros também lideram pedidos de residência. Nos seis primeiros meses de 2026, foram 33.243 solicitações de estrangeiros, alta de 62 % em relação ao mesmo período de 2025; 22.628 (76 %) partiram do Brasil. Para atender à demanda, a Direção Nacional de Migrações ampliou horário de atendimento e criou plantões em fins de semana.

Segundo a Câmara de Comércio Brasil-Paraguai, estabilidade macroeconômica, baixa tributação e custos competitivos explicam a procura. Na incorporadora Raíces Real Estate, brasileiros respondem por 50 % das vendas e por 60 % dos pedidos de residência como investidores.

Com isenções fiscais, energia barata e encargos menores, o Paraguai consolida-se como destino de indústrias brasileiras que buscam reduzir custos sem se afastar do mercado nacional.

Com informações de Gazeta do Povo