O Brasil trabalha com 2027 como novo prazo para finalizar o acesso viário à ponte internacional que liga Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, parte fundamental da Rota Bioceânica. O cronograma contrasta com o lado paraguaio, que pretende concluir os 3,8 quilômetros de ligação à rodovia PY-15 até novembro deste ano, ou, no máximo, janeiro de 2027.
Segundo levantamento da Folha de S.Paulo divulgado nesta terça-feira (28), faltam 13,1 quilômetros de pavimentação entre a BR-267 e a cabeceira brasileira da estrutura. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informa que 38,1 % das obras já foram executadas, focadas em terraplenagem e na construção de seis pontes e um viaduto — apenas duas dessas estruturas estão prontas.
O investimento previsto para o acesso soma R$ 472 milhões. Até agora, R$ 220,7 milhões foram empenhados e R$ 184,7 milhões efetivamente aplicados. O DNIT admite que ainda não há garantia para os cerca de R$ 250 milhões restantes e que eventuais suplementações dependerão do avanço físico dos serviços.
João Carlos Parkinson, coordenador brasileiro dos corredores bioceânicos, reconhece o “pequeno descompasso” entre os dois países. De acordo com ele, o trecho paraguaio é mais curto e o solo no lado brasileiro, predominantemente pantanoso, exige obras de terraplenagem mais complexas e caras.
A ponte de 1,2 quilômetro sobre o rio Paraguai já teve as aduelas unidas, mas a cerimônia oficial foi cancelada em razão do mau tempo. Autoridades dos dois governos participaram apenas de um ato simbólico.
Quando concluída, a ligação fará parte do corredor que integrará o porto de Santos aos terminais chilenos de Antofagasta e Iquique, atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A estimativa é encurtar em cerca de 7 mil quilômetros o trajeto das cargas brasileiras rumo à Ásia e à Oceania, economizando de 17 a 20 dias de viagem.
Além da estrada, Brasil e Paraguai ainda precisam erguer o Centro Integrado de Controle da Fronteira (Ciof), que reunirá aduana, saúde e fiscalização de ambos os países. O projeto está em fase de adaptação e as obras não começaram. Para Erivelto Moyses, superintendente-adjunto da Receita Federal na 1ª Região, a estrutura é “indispensável” ao funcionamento do corredor.
Equipe da Receita percorreu cerca de 4 mil quilômetros da Rota Bioceânica e apontou outros gargalos: alfândegas improvisadas no Paraguai, trechos rodoviários em obras, limitações na infraestrutura argentina e restrições a caminhões na travessia da Cordilheira dos Andes. Até que esses entraves sejam resolvidos, a travessia entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta continuará sendo feita por balsa.
Com informações de Gazeta do Povo