Várias dezenas de moradores que se identificam como muçulmanos se reuniram em 7 de julho na aldeia de Paccerakkang, distrito de Biringkanaya, em Makassar, capital da província de Sulawesi do Sul, para protestar contra a construção da Igreja Cristã Toraja – Congregação Lanraki.
Os manifestantes portavam uma faixa com declaração de oposição e alegaram que o templo não atendia aos requisitos legais, que documentos teriam sido manipulados, que não houve consulta pública adequada e que o terreno seria apenas uma residência adaptada. Nenhuma das acusações foi acompanhada de provas.
Licença já havia sido concedida
Segundo o Fórum Local para a Harmonia Religiosa (FKUB), todas as etapas legais foram concluídas. A recomendação para a obra foi emitida em 14 de abril, após verificação de campo e reunião pública realizada em fevereiro. Durante um mês, a congregação fixou uma faixa no local informando sobre o projeto e convidando moradores a apresentar objeções por escrito, mas nenhuma contestação formal chegou ao órgão.
“Todos os documentos foram entregues, fizemos a socialização e não recebemos oposição oficial”, afirmou o vice-presidente da FKUB Makassar, Hasan Pinang, à imprensa. O presidente da FKUB, Arifuddin Ahmad, reforçou que, para evitar manipulação, apenas reclamações escritas, assinadas e carimbadas seriam aceitas.
Acusações e reações
Um morador que pediu anonimato disse à BBC que a comunidade, majoritariamente muçulmana, não quer uma igreja na região e acusou o comitê de pagar entre 100.000 e 500.000 rúpias (US$ 6,50 a US$ 33) a muçulmanos para obter apoio, alegação não comprovada.
O presidente da Associação de Igrejas da Indonésia para Sul e Sudeste de Sulawesi, Yohanis Metris, declarou estar perplexo: “Seguimos todos os procedimentos legais e mesmo assim há oposição”.
O Movimento Indonésia para Todos (PIS) questionou a razão de o projeto ainda enfrentar barreiras após cumprir as exigências do Estado e criticou os Regulamentos Conjuntos Ministeriais nº 8 e 9/2006, que, segundo o grupo, dificultam a construção de locais de culto de minorias.
Histórico do local
A congregação utiliza o terreno em Paccerakkang desde 1998, quando a área era menos habitada. A ideia de erguer uma igreja permanente vem sendo discutida há cerca de três anos. Desde 2022, houve dois protestos anteriores, incluindo a colocação de uma faixa em fevereiro deste ano que alertava para possível “hostilidade inter-religiosa”.
O assessor do Gabinete de Comunicações da Presidência, David Herson Tonius, pediu, em rede social, que a população acompanhe o caso para garantir o direito constitucional à liberdade religiosa.
Até o momento, a administração municipal de Makassar não sinalizou revogar a licença concedida, e o comitê da Igreja Cristã Toraja aguarda a continuidade do projeto.
Com informações de Folha Gospel