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Sobreviventes de Centros de Golpes Cibernéticos Buscam Justiça e Recuperação

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Marcus, um nacional birmanês, viveu um pesadelo por 14 meses em um centro de golpes cibernéticos nas Filipinas, onde foi forçado a extorquir dinheiro. Desde que testemunhou contra seus captores em setembro de 2023, ele tem vivido sob constante medo de represálias.

Em maio de 2026, um tribunal filipino condenou três líderes chineses do esquema a penas de prisão perpétua, algo que trouxe um misto de alívio e preocupação para Marcus. “A justiça foi feita, e agora esse capítulo está encerrado”, afirmou, usando um nome fictício por questões de segurança.

Desde 2021, estima-se que mais de 300 mil pessoas de cerca de 80 países foram enganadas e levadas a trabalhar em centros de golpes no Sudeste Asiático. Esses locais surgiram em resposta às restrições da pandemia de COVID-19, com os criminosos se aproveitando da vulnerabilidade econômica da população.

Após sua libertação, Marcus decidiu não apenas lutar por justiça, mas também ajudar outros sobreviventes. Em 2025, ele fundou a United Resilience Network com o apoio da International Justice Mission (IJM), uma organização que visa prevenir a exploração e apoiar a recuperação de vítimas.

Marcus relatou que a recuperação vai além do resgate: “Apoio à restauração é essencial”, enfatizou. Ele perdeu seu emprego em Myanmar devido à pandemia e ao golpe militar de 2021, o que o levou a responder a um anúncio de trabalho em Dubai, que acabou sendo uma armadilha.

Logo após chegar, seu passaporte foi confiscado e ele foi forçado a trabalhar em condições desumanas. Após contrair COVID-19, suas dívidas aumentaram, levando seus captores a vendê-lo a uma empresa irmã nas Filipinas. Foi em 2023 que ele se viu em um centro de trabalho forçado na província de Pampanga, cercado por mais de mil pessoas.

O resgate de Marcus ocorreu em maio de 2023, quando as autoridades finalmente realizaram uma operação em seu local de trabalho. “Eu pensei que nunca sairia”, lembrou ele, destacando que muitos outros não tiveram a mesma sorte.

Após um longo processo de identificação como vítima, Marcus foi colocado em um programa de proteção a testemunhas e recebeu apoio psicológico. Ele se juntou à IJM como consultor, ajudando a dar voz a outros sobreviventes e a compartilhar suas experiências com organizações e agências governamentais.

Outro sobrevivente, Gavesh, um cingalês que também passou por um calvário semelhante, se uniu a Marcus na United Resilience Network. Juntos, eles trabalham para aumentar a conscientização sobre esses centros de golpe e defender a justiça para aqueles que ainda não foram reconhecidos como vítimas.

Além disso, a IJM colabora com igrejas em países com muitos sobreviventes, ensinando líderes a oferecer apoio e quebrar o estigma enfrentado por essas pessoas. “O papel da igreja é proteger os oprimidos”, disse Gideon Cauton, conselheiro sênior da IJM para o Sudeste Asiático. “Nosso objetivo é mobilizar a comunidade para ajudar na recuperação e na restauração dos sobreviventes.”

Fonte: Christianity Today.