São Paulo — 27 de julho de 2026. O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, minimizou nesta segunda-feira (27) a tensão diplomática provocada pelas recentes declarações do presidente argentino Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Durante encontro com entregadores de aplicativos na capital paulista, Haddad disse que o Brasil “não pode aceitar” as críticas, mas ressaltou que elas não anulam séculos de proximidade entre os dois países.
“Precisamos virar a página. Essa deselegância não condiz com a tradição de amizade entre brasileiros e argentinos. Temos assuntos culturais, econômicos e sociais em comum”, afirmou.
Cooperação estratégica
O petista destacou que Brasil e Argentina compartilham interesses estratégicos e que a crise política não deve afetar projetos conjuntos. Ele citou o Mercosul e lembrou dos avanços do bloco em acordos com a União Europeia, Singapura e, possivelmente, a China.
O que motivou a crise
No sábado (25), durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, Milei chamou Lula de “presidiário” e se referiu a Alexandre de Moraes como “lixo careca”. No domingo (26), em entrevista à Rádio Mitre, o argentino acusou o governo brasileiro de financiar uma campanha “anti-Argentina” nas eleições de 2023.
Resposta de Lula e ação do Itamaraty
Questionado por repórteres no Palácio do Itamaraty, em Brasília, Lula reagiu com ironia: “Eu? Quem é esse cara?”, disse, após ser indagado sobre as falas de Milei.
O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina em Brasília para esclarecimentos e chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas.
Com informações de Gazeta do Povo