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Plano de Flávio Dino para reformar Judiciário evita críticas diretas ao STF e provoca reação de entidades

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino publicou em 20 de abril um artigo defendendo uma reforma do Poder Judiciário baseada em 15 eixos, voltados, segundo ele, a dar maior celeridade, racionalidade e “moralização” ao sistema de Justiça. A proposta, porém, não aborda de forma explícita temas ligados à atuação dos próprios ministros do STF, o que levantou preocupação entre entidades da advocacia, da magistratura e da sociedade civil.

O que diz a proposta

Sem detalhar projetos de lei, Dino menciona mecanismos para acelerar a execução fiscal, ampliar a negociação de precatórios, criar limites de recursos aos tribunais superiores, revisar competências do Supremo e elevar penas para corrupção dentro do Judiciário. O texto foi veiculado no site ICL Notícias e elogiado por lideranças do PT, como os ex-ministros José Dirceu e Gleisi Hoffmann, que enxergam no tema um contraponto a propostas similares discutidas por presidenciáveis de direita.

Código de ética no STF fica de fora

A ausência de medidas voltadas à conduta de ministros ocorre no momento em que o presidente do STF, Edson Fachin, estuda um novo código de ética para dar transparência à relação de magistrados com empresas que patrocinam eventos ou contratam escritórios de parentes. A iniciativa ganhou força após o chamado “caso Master”, que expôs a proximidade entre integrantes da Corte e advogados ligados a grandes grupos econômicos.

Reação da OAB

Antes mesmo do artigo de Dino, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defendia mudanças mais incisivas no Supremo. Em janeiro, o presidente da entidade, Beto Simonetti, publicou artigo pedindo a proibição de atuação de advogados parentes de magistrados em tribunais onde esses parentes julgarem. No dia 13 de abril, a OAB criou uma comissão para sugerir:

  • mandatos para ministros de tribunais superiores;
  • parâmetros éticos unificados para a magistratura;
  • restrições a decisões monocráticas relevantes;
  • mecanismos de prevenção de abusos;
  • limites à atuação de advogados ligados a ministros.

Segundo Simonetti, qualquer reforma “só será legítima” se contar com a participação da advocacia.

Preocupação de juízes com ‘penduricalhos’ e punições

Entidades da magistratura demonstraram desconforto com itens do plano de Dino que preveem cortar verbas indenizatórias que permitem salários acima do teto constitucional e substituir a aposentadoria compulsória como punição disciplinar. A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) afirmou, em nota, que juízes precisam ser ouvidos e que o debate deve permanecer técnico, sem contaminação eleitoral.

Outras propostas em debate

Diferentes grupos apresentaram sugestões que miram diretamente o STF:

  • Instituto FHC – defende transparência em palestras e eventos patrocinados por partes interessadas;
  • Lexum – propõe restringir decisões monocráticas, adotar controle difuso de constitucionalidade e submeter a permanência de ministros a revisão do Senado a cada 10 anos; elogia Dino apenas pelo filtro recursal ao STJ;
  • Fecomércio-SP, sob coordenação de Ives Gandra Martins – quer mandato de 12 anos para ministros, maior poder do Congresso para conter decisões da Corte e novo modelo de indicações, no qual apenas um dos 11 nomes seria escolhido pelo presidente da República.

Diante das pressões, entidades afirmam que qualquer alteração deve equilibrar celeridade processual e controle de poder do STF, tema que ganhou destaque desde o fim de 2025 com críticas ao alcance das decisões da Corte.

Não há, por enquanto, projeto de lei formal apresentado pelo ministro Flávio Dino. O conteúdo de seu artigo, entretanto, deve servir de base para futuras discussões no Congresso e no próprio Judiciário.

Com informações de Gazeta do Povo