Home / Internacional / Bilhões, escândalos e clubes fechados: por que a China ficou fora da Copa de 2026

Bilhões, escândalos e clubes fechados: por que a China ficou fora da Copa de 2026

ocrente 1781147976
Spread the love

A segunda maior economia do planeta permanece ausente do principal palco do futebol mundial. Mesmo após despejar quantias bilionárias no esporte e transformar o futebol em projeto de Estado, a China não se classificou para a Copa do Mundo de 2026. Crise financeira nos clubes, corrupção sistêmica e políticas sanitárias rígidas minaram o plano anunciado pelo presidente Xi Jinping há mais de uma década.

Metas ambiciosas de Xi Jinping

Em 2011, Xi Jinping definiu três objetivos: ver a seleção chinesa voltar a uma Copa do Mundo, organizar o torneio e conquistar o título. Cinco anos depois, o governo lançou uma estratégia nacional que previa construir 70 mil campos de futebol e envolver 30 milhões de crianças na modalidade até 2020. Apesar do esforço, o país ainda registra menos atletas federados do que a Inglaterra, cuja população é muito menor.

Contratações de estrelas e investimentos inflados

A partir de 2015, clubes da Superliga Chinesa desembolsaram cifras recordes para atrair nomes como os brasileiros Oscar e Hulk e o argentino Carlos Tévez. Técnicos campeões mundiais, entre eles Luiz Felipe Scolari, também foram contratados. O impulso financeiro vinha de grandes incorporadoras que, ao patrocinar o esporte, buscavam agradar Pequim e obter facilidades em empréstimos ou aquisição de terrenos, gerando crescimento artificial na liga.

Colapso do setor imobiliário atingiu em cheio o futebol

O modelo ruiu com a crise imobiliária que atingiu as construtoras responsáveis pelo aporte nos times. O caso mais simbólico foi o do Guangzhou Evergrande: octacampeão chinês, o clube encerrou as atividades no início de 2025 após a falência da gigante Evergrande. Nos últimos anos, mais de 40 equipes profissionais fecharam as portas em meio a dívidas impagáveis.

Escândalos de corrupção enfraqueceram ainda mais o projeto

Manipulação de resultados e subornos tornaram-se rotina. Nove clubes perderam pontos recentemente, e mais de 70 pessoas foram banidas do futebol, incluindo Li Tie, ex-técnico da seleção, condenado a 20 anos de prisão. Analistas atribuem o ambiente propício a irregularidades à forte interferência política e à falta de investimento consistente na formação de atletas de base.

Política de “Covid Zero” agravou a crise

Entre 2020 e 2022, campeonatos foram disputados em bolhas sanitárias e sem público devido aos rígidos bloqueios impostos pelo governo. A ausência de torcedores e as restrições de viagem dificultaram a contratação e a permanência de jogadores e treinadores estrangeiros, aprofundando os problemas financeiros dos clubes já fragilizados.

Com estádios vazios, equipes em extinção e casos de corrupção nas manchetes, o ambicioso projeto de transformar a China em potência do futebol chegou a 2026 sem atingir a primeira meta: voltar a disputar uma Copa do Mundo.

Com informações de Gazeta do Povo