O advogado-geral da União, Jorge Messias, usou seu perfil na rede X na noite de 2 de maio para compartilhar uma mensagem motivacional acompanhada de uma montagem produzida por inteligência artificial. A publicação ocorre três dias depois de o Senado ter rejeitado sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Na arte, Messias aparece segurando a Constituição Federal junto ao peito. O texto sobreposto afirma: “É preciso coragem para defender princípios quando eles não são populares. Mas é exatamente aí que nasce a história que vale a pena viver. Siga firme. Inspire. Transforme”. Na legenda, o ministro acrescentou: “O que fazemos hoje ecoa no amanhã”. A imagem ainda exibe frases atribuídas ao próprio advogado-geral, como “Defenda a Justiça”, “Conheça a Verdade”, “Sirva com propósito” e “Transforme a realidade”.
Derrota histórica no plenário
Em 29 de abril, o nome de Messias foi rejeitado pelos senadores por 42 votos contrários e 34 favoráveis, marcando um dos raros casos de recusa a indicações para a Corte em 135 anos de história — as cinco negativas anteriores ocorreram em 1894, no governo Floriano Peixoto.
Pontos de atrito na sabatina
Durante a sessão de arguição, parlamentares questionaram o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre:
- a defesa, na ADPF 1141, da possibilidade de assistolia fetal em abortos após 20 semanas de gestação;
- trechos de sua tese de doutorado, na qual classificou o impeachment de Dilma Rousseff como golpe e elogiou a atuação do STF na “defesa da democracia”, sobretudo após os atos de 8 de janeiro de 2023;
- a atuação da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), apelidada de “Ministério da Verdade”, que enviou notificação ao X solicitando a remoção de postagens críticas a projetos de combate à misoginia, incluindo publicações de jornalistas.
A repercussão desses temas colaborou para o desgaste da candidatura e culminou na rejeição da indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Até o momento, não há definição de novo nome para a vaga aberta no STF.
Com informações de Gazeta do Povo