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Onda recorde de recuperações judiciais e calote de grandes marcas pressiona campanha de Lula

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Brasília – O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerra-se sob o impacto de uma quebradeira empresarial sem precedentes. Dados de consultorias como RGF & Associados e Serasa Experian apontam que 5,3 mil companhias recorreram à recuperação judicial em 2025, avanço de 24 % sobre 2024 e o maior patamar da série histórica.

Entre outubro e dezembro do ano passado, foram formalizados 510 pedidos, envolvendo dívidas de aproximadamente R$ 40 bilhões. O ambiente de juros altos, crédito restrito e endividamento das famílias tem afetado especialmente varejo, vestuário, móveis e brinquedos, setores dependentes do consumo.

Contraste com o discurso governista

A escalada de insolvências contradiz a narrativa oficial de “economia aquecida” usada pela equipe de Lula na pré-campanha pela reeleição em 2026. Parlamentares da oposição atribuem o cenário à combinação de aumento de gastos públicos, carga tributária maior, insegurança regulatória e taxas básicas de juros persistentemente elevadas.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) declarou em rede social que “inadimplência e recuperações judiciais batem recordes”, enquanto o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que é “mais fácil uma empresa sobreviver à pandemia do que a um governo petista”.

Efeito reversão: de 2022 ao pico de 2025

Após o pico de 1.863 recuperações em 2016, durante a recessão que culminou no impeachment de Dilma Rousseff, o indicador recuou gradualmente: 1.420 em 2017, 1.408 em 2018, 1.387 em 2019, 1.179 em 2020 e 891 em 2021. O piso recente foi registrado em 2022, com 833 processos. A trajetória mudou em 2023, primeiro ano do atual governo, quando os pedidos saltaram para 1.405; subiram a 2.273 em 2024 e explodiram para 5.280 em 2025 – alta de 276 % desde 2023. Projeções de mercado estimam até 8,3 mil casos em 2026.

Ícones em crise

Entre as empresas emblemáticas atingidas, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) entrou em recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões, após sucessivos prejuízos. A fabricante de produtos de limpeza Bombril solicitou proteção contra credores diante de um passivo de R$ 2,3 bilhões. No varejo de brinquedos, a tradicional Brinquedos Estrela enfrenta queda de vendas, crédito caro e concorrência digital. Tok&Stok e Coteminas também buscam reestruturação financeira.

Na esfera estatal, os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e recorreram a financiamentos com garantia do Tesouro para manter investimentos.

Sinais de alerta de analistas

Para o consultor Vandyck Silveira, o aumento das insolvências expõe a deterioração fiscal do país e lembra experiências de colapso observadas em países do bloco europeu conhecido como PIIGS e na Argentina. Já o conselheiro de empresas Ismar Becker vê na expansão de gastos — que inclui um pacote de R$ 200 bilhões em ano eleitoral — a origem de um “cenário desesperador” para o próximo governo, seja qual for o vencedor em 2026.

Com informações de Gazeta do Povo