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Lula condena decisão dos EUA de rotular CV e PCC como terroristas e chama Flávio Bolsonaro de “traidor”

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atacou nesta sexta-feira (29/05/2026) a medida do governo dos Estados Unidos que classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em discurso, o chefe do Executivo chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “traidor” por ter pedido a inclusão das facções na lista durante visita ao presidente norte-americano Donald Trump.

“Estou muito triste hoje com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, afirmou Lula, ressaltando que Rubio “nem sequer participou” da reunião que ele próprio manteve recentemente com Trump.

Críticas à classificação

Lula reconheceu que o CV e o PCC “são terroristas para comunidades brasileiras”, mas contestou a equiparação feita por Washington. “Eles não são os terroristas que o Trump quer, como o Osama bin Laden”, declarou.

O presidente afirmou ter entregue a Trump documentos sobre brasileiros suspeitos de crimes que estariam escondidos nos Estados Unidos, apontando o país como origem de armas contrabandeadas para o crime organizado no Brasil.

Pedidos de extradição

No mesmo pronunciamento, Lula voltou a solicitar a extradição do ex-deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Também reiterou o pedido de prisão do empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit e apontado como maior devedor contumaz do país, residente em Miami.

Alvo em Flávio Bolsonaro

O presidente acusou Flávio Bolsonaro de articular a decisão norte-americana ao lado de Rubio. “Um filho de bolsonarista vai aos Estados Unidos pedir intervenção no Brasil, isso é trair a pátria”, disparou. Lula ainda ironizou: “Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, ele ficava preso lá”.

Segundo Lula, a movimentação de Flávio indicaria desconforto com a possibilidade de nova vitória petista na eleição presidencial: “Não brinquem com a soberania desse país, não brinquem com a nossa democracia”.

Expectativa de posição oficial

Nos bastidores, o governo brasileiro discute nota formal sobre a decisão norte-americana, que deve ser divulgada até o fim do dia. Assessores como o diplomata Celso Amorim veem a classificação como “pretexto para intervenção” e alertam para eventuais impactos econômicos. A liderança do PT na Câmara avalia que a medida pode afugentar investimentos e comprometer a soberania nacional.

Rubio anuncia medida

A decisão de rotular o PCC e o CV como terroristas, válida a partir de junho, foi anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, que descreveu as facções como “as mais violentas do Brasil” e responsáveis por controlar milhares de integrantes. Com isso, as organizações passam a integrar uma lista que já inclui grupos como Hezbollah e Al Qaeda.

Com informações de Gazeta do Povo