O professor de Direito Constitucional e escritor William Douglas publicou, nesta quinta-feira (28), um artigo no qual afirma que qualificar todos os brancos como racistas e todos os negros como vítimas é, por si só, uma forma de racismo. O texto foi divulgado no portal Pleno.News.
Douglas recorre ao Decreto nº 10.932/2022, que promulgou a Convenção Interamericana contra o Racismo, para sustentar seu ponto de vista. O dispositivo legal define racismo como qualquer teoria ou doutrina que relacione traços físicos a características intelectuais ou morais, além de propagar ideias de superioridade racial.
Escravidão ao longo da história
No artigo, o autor recorda que a escravidão esteve presente em “praticamente todas as grandes civilizações humanas”. Entre os exemplos citados, ele menciona:
- Origem da palavra “escravo”, derivada de “eslavo”, povo amplamente subjugado na Idade Média;
- Captura de europeus por corsários da Barbária entre os séculos XVI e XIX;
- Sistemas escravistas no mundo árabe e islâmico, anteriores ao tráfico atlântico;
- Escravidão em impérios asiáticos, incluindo China, Japão, Coreia e Índia.
Douglas observa ainda que cerca de 12 milhões de africanos foram transportados pelo tráfico atlântico, com o Brasil como principal destino, e lembra que reinos e elites africanas também participaram da captura e venda de prisioneiros a traficantes europeus e árabes.
“Duas verdades simultâneas”
Para o autor, é possível reconhecer simultaneamente que a escravidão foi uma prática global e que o tráfico atlântico atingiu proporções inéditas, com caráter “massivo, econômico e racializado”. Ele argumenta que reduzir a discussão a uma “narrativa simplista” não combate o racismo, mas cria um novo tipo de discriminação.
Ao concluir, William Douglas defende que o debate sobre reparações históricas leve em consideração todos os agentes envolvidos, respeitando a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a “igualdade de dignidade entre todos os seres humanos”.
Com informações de Pleno.News