Washington (EUA) – Líderes que atuam em pastorais voltadas a jovens e jovens adultos na Igreja Católica acumulam responsabilidades, lidam com salários considerados insuficientes e encaram incertezas sobre o futuro na função. As conclusões constam do estudo “Illuminating Trends: A Study of Pastoral Leaders Serving Catholic Youth and Young Adults 2000-2025”, divulgado pela organização Ministry Training Source (MTS).
Escopo do levantamento
A pesquisa reúne cinco estudos nacionais, incluindo entrevistas qualitativas realizadas entre 2022 e 2023 com 127 ministros, além de um questionário aplicado em 2024 a 757 líderes em atividade e 49 ex-líderes. Os resultados foram comparados a levantamentos feitos em 2000, 2008 e 2016.
Três pontos de pressão
A presidente da MTS, Charlotte McCorquodale, classificou os principais desafios em três categorias:
“Mais, Mais, Mais” – ministros relatam aumento constante de tarefas, que vão da preparação sacramental ao suporte a jovens em crise, normalmente com menos voluntários à disposição.
“Realidades em Mudança” – necessidade de adaptar o trabalho pastoral a transformações culturais e sociais cada vez mais rápidas.
“Testando o Ajuste” – profissionais mais jovens ponderam tempo, remuneração e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho antes de decidir permanecer no ministério.
Números centrais
• 87% afirmam que o serviço “sempre” ou “frequentemente” lhes traz alegria.
• 80% consideram o ministério “sempre” ou “frequentemente” eficaz.
• 79% apontam orçamento insuficiente; para 20% o problema é “muito significativo”.
• 72,5% dizem precisar justificar a própria função; 32,5% fazem isso “frequentemente” ou “quase o tempo todo”.
• Apenas 30% recebem apoio diocesano eficaz de forma constante.
Dificuldade para engajar voluntários e fiéis
A escassez de adultos dispostos a colaborar foi classificada como um problema por 94% dos entrevistados, enquanto 89% citaram obstáculos para atrair jovens. Entre estes, 62% veem o tema como “significativamente” ou “muito significativamente” desafiador.
Visões por geração
No grupo pesquisado em 2024, 17% são Baby Boomers (60+), 30% Geração X (44-59), 41% millennials (28-43) e 12% Geração Z (21-27).
Geração Z: 70% avaliam que o modelo atual de ministério precisa ser “reinventado”; 72% planejam ficar no cargo por até cinco anos. Entre as causas para possível saída estão equilíbrio inadequado entre vida pessoal e trabalho (48%), baixa remuneração (47%) e carga horária excessiva (36%).
Millennials: 57% pretendem permanecer mais de cinco anos, mas apenas 32% projetam carreira superior a dez anos – queda de 8 pontos percentuais em relação a 2016. As principais queixas são salários e benefícios (37%), tempo de trabalho (29%), busca por melhor equilíbrio vida-trabalho (26%) e falta de apoio de superiores (23%).
Geração X e Baby Boomers: 41% e 75%, respectivamente, citam a aposentadoria como motivo predominante para deixar o ministério. Questões de remuneração ou tempo têm menor peso nesses grupos.
Propostas de mudança
Para enfrentar os pontos de pressão, o relatório recomenda: preencher lacunas de liderança, repensar formação e critérios de eficácia, além de definir com clareza as funções para garantir sustentabilidade. A MTS disponibilizou um pacote de recursos e debates guiados para dioceses, paróquias e equipes interessadas em aplicar os dados à realidade local.
Com informações de Gazeta do Povo