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A Crítica de Robert P. Jones ao Evangelicalismo e seu Impacto na Democracia Americana

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Em seu novo livro, “Backslide: Reclaiming a Faith and a Nation After the Christian Turn Against Democracy”, Robert P. Jones traça um paralelo alarmante entre Donald Trump e Adolf Hitler, argumentando que a ascensão do ex-presidente pode levar à destruição da democracia americana se não for contida.

Jones, que se distanciou do evangelicalismo após sua formação em seminários batistas, critica aqueles que apoiam Trump, chamando-os de “apóstatas”. Ele sugere que esses indivíduos não devem mais ser considerados discípulos genuínos de Jesus, mas sim tratados como hereges, semelhante ao que ocorreu com a minoria cristã na Alemanha que se opôs a Hitler.

O autor argumenta que a aceitação da autoridade bíblica entre os evangelicais, juntamente com a crença de que quem não aceita Jesus como Salvador está destinado ao inferno, cria uma afinidade com o conservadorismo político que favorece os interesses dos brancos em detrimento de outros grupos. Segundo sua análise, os evangélicos brancos são 30 pontos percentuais mais propensos a apoiar políticas severas contra imigrantes indocumentados.

Jones aponta que, mesmo entre frequentadores regulares de igrejas, a compaixão em relação aos imigrantes não é necessariamente ampliada. Dados de pesquisa indicam que os evangélicos brancos que vão à igreja com frequência são mais propensos a apoiar a deportação de imigrantes sem o devido processo legal.

Embora Jones faça uma crítica contundente ao evangelicalismo, ele sugere que o problema pode não estar na doutrina em si, mas na cultura que molda o evangelicalismo americano. Ele lembra que, não muito tempo atrás, muitos evangélicos defendiam políticas mais humanas em relação aos imigrantes.

A recente mudança de postura da Convenção Batista do Sul em relação à imigração, que apoiou a aplicação rigorosa das leis de fronteira, levanta questões sobre se essa mudança reflete a doutrina histórica ou as visões culturais predominantes na região.

Jones alerta que a política de Trump e suas consequências autoritárias podem estar moldando a visão dos evangélicos, que são, em sua maioria, do sul dos EUA e com baixa escolaridade. Essa demografia se alinha fortemente com o apoio a Trump e suas políticas.

Por fim, Jones conclui que a solução não é abandonar o evangelicalismo, mas sim refletir sobre como as práticas políticas dos evangélicos podem divergir dos princípios do evangelho. Ele enfatiza a importância de um diálogo interno e a necessidade de arrependimento, caso as visões políticas não estejam alinhadas com os ensinamentos de Jesus.

Fonte: Christianity Today.