No capítulo 10 do Evangelho de Lucas, um advogado se aproxima de Jesus e questiona: “Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” Jesus responde com outra pergunta: “O que está escrito na Lei? Como você a lê?” O advogado menciona os mandamentos de amar a Deus e o próximo, e Jesus concorda, mas o advogado busca uma definição mais clara de “próximo”.
Em resposta, Jesus narra a famosa história do Bom Samaritano. Essa parábola não apenas revela a verdade sobre a verdadeira vizinhança, mas também toca o coração do advogado, convidando-o a repensar suas próprias atitudes.
O filósofo Blaise Pascal disse que “o coração tem razões que a razão desconhece”, e é exatamente isso que Jesus faz ao usar uma narrativa para falar ao coração do advogado. Através da história, o advogado não só compreende, mas também sente a verdadeira compaixão, identificando-se com o samaritano, que age com misericórdia.
O enredo da parábola desafia a visão do advogado, que inicialmente busca definir quem deve amar. Ao invés de simplesmente responder à pergunta “Quem é meu próximo?”, Jesus transforma isso em uma nova questão: “Quem agiu como próximo?”. Assim, a narrativa redefine o conceito de amor ao próximo.
O comentário de Joel Green sobre Lucas destaca que o advogado tentava identificar aqueles a quem não precisava amar. Jesus, ao contrário, subverte essa ideia e apresenta uma imagem de amor que transcende barreiras sociais e é um reflexo do caráter de Deus.
A narrativa de Jesus não se limita a uma contenda entre judeus e samaritanos; ela mostra a natureza da misericórdia divina. Ao contar essa história, Jesus direciona a atenção do advogado e da multidão para a compaixão que deve caracterizar a vida em comunidade, convidando o advogado a se envolver ativamente na narrativa e a viver de acordo com esses princípios.
Como afirmou C. S. Lewis, “a história faz o que nenhum teorema pode fazer”, apresentando-nos uma imagem do que a realidade pode ser. Através da parábola, Jesus oferece uma nova visão de humanidade, encorajando todos a ampliar seus corações com a verdade do amor divino.
Assim, a arte de contar histórias, como exemplificado por Jesus, continua a nos inspirar a viver com compaixão e a entender melhor o que significa ser verdadeiramente humano.
Fonte: Christianity Today.