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Justiça boliviana emite novo mandado de prisão contra Evo Morales por terrorismo

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A Procuradoria-Geral da Bolívia determinou, na noite de quarta-feira (29), a prisão do ex-presidente Evo Morales (2006-2019). O despacho, assinado pelo procurador Brayan Melgar, atribui a Morales os crimes de terrorismo, insurreição armada contra a segurança e a soberania do Estado, risco à segurança dos transportes, associação criminosa, incitação pública ao delito e ameaça à segurança de serviços públicos.

De acordo com o Ministério Público, o ex-mandatário teve participação nos protestos e bloqueios de estradas realizados entre maio e junho, que exigiam a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Durante sete semanas, agricultores de La Paz e a Central Operária Boliviana (COB) fecharam rodovias no oeste e no centro do país, com apoio de grupos ligados a Morales.

Os bloqueios provocaram falta de alimentos, combustíveis e oxigênio medicinal em várias cidades, resultaram em pelo menos 16 mortes — 13 delas atribuídas à impossibilidade de acesso a atendimento médico — e geraram prejuízos econômicos estimados em mais de US$ 3 bilhões.

Outros investigados

A mesma ação judicial inclui o secretário-geral da COB, Marco Argollo, e o dirigente camponês Vicente Salazar, preso preventivamente desde 6 de julho em outra investigação sobre os mesmos fatos. A queixa-crime foi apresentada no início de julho por líderes civis de Santa Cruz e recebeu o respaldo do ministro do Interior, Marco Antonio Oviedo.

Posição de Morales

Em publicação na rede social X, Evo Morales negou ter alentado a queda de Paz e afirmou que as mobilizações buscavam obrigar o governo a atender às reivindicações populares. “Não nos intimidarão”, escreveu o ex-presidente.

Morales está na região de Chapare, em Cochabamba, desde outubro de 2024, cercado por apoiadores que impedem o cumprimento de outro mandado de prisão, relacionado a uma acusação de tráfico de pessoas agravado. Nesse processo, ele é apontado como pai de uma criança nascida de um relacionamento com uma menor de idade em 2016. Em maio, um tribunal de Tarija declarou o ex-chefe de Estado foragido por não comparecer à abertura do julgamento.

Para conter os protestos recentes, o presidente Rodrigo Paz decretou estado de emergência em 20 de junho e mobilizou policiais e militares para desobstruir as rodovias.

Com informações de Gazeta do Povo