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Dos campos do Mar do Norte ao maior cofre do planeta: como a Noruega virou potência nos investimentos

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Oslo, 07 jul. 2026 – A vitória da seleção norueguesa sobre o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo colocou o país escandinavo sob os holofotes, mas foi o tamanho do Government Pension Fund Global (GPFG) que roubou a cena fora dos gramados. Avaliado em cerca de US$ 2,2 trilhões – quase quatro vezes o Produto Interno Bruto anual da Noruega – o fundo soberano é hoje o maior do mundo.

Raízes no Mar do Norte

A base dessa fortuna foi lançada na década de 1960, quando foram descobertas grandes reservas de petróleo e gás no Mar do Norte. Desde então, a Noruega tornou-se o maior produtor e exportador de petróleo e gás natural da Europa Ocidental. Atualmente, 30% do gás natural e 15% do petróleo importados pela União Europeia têm origem norueguesa.

Criado para reduzir a dependência do país das oscilações do mercado de energia, o GPFG foi capitalizado inicialmente com impostos sobre o petróleo, taxas de licenciamento e lucros da estatal Equinor. Com o tempo, o fundo diversificou seus aportes e, hoje, mais da metade do patrimônio já não está ligada ao setor de óleo e gás.

Participações em milhares de empresas

Administrado pela Norges Bank Investment Management, o GPFG detém, em média, 1,5% de todas as empresas listadas em bolsas de valores do planeta. O portfólio inclui participações em 7.200 a 9.000 companhias distribuídas por mais de 60 países – entre elas, dezenas de brasileiras. Essa estratégia transformou o fundo no maior investidor individual de ações do mundo.

Impacto interno

Com 5,6 milhões de habitantes, a Noruega desfruta de um dos mais altos índices de desenvolvimento do planeta: ocupa a segunda posição no ranking global da ONU, atrás apenas de Islândia e Suíça. Se o capital do GPFG fosse distribuído igualmente hoje, cada cidadão receberia cerca de US$ 375 mil (aproximadamente R$ 2 milhões).

Os rendimentos do fundo reforçam o sistema de bem-estar social norueguês, financiando áreas como saúde e educação e atuando como colchão fiscal contra oscilações no preço do barril de petróleo.

Mesmo com a transição energética em pauta, o modelo norueguês segue baseado na gestão cautelosa dos recursos fósseis e na diversificação dos investimentos, fórmula que transformou o país em referência global de poupança pública e estabilidade econômica.

Com informações de Gazeta do Povo