Washington (07.jul.2026) – O recém-criado comitê de ação política American Priorities, fundado em fevereiro com o propósito declarado de enfrentar o tradicional AIPAC, destinou recursos significativos a pré-candidatos ligados aos Socialistas Democráticos da América (DSA), a ala mais à esquerda do Partido Democrata.
O PAC planeja desembolsar mais de US$ 10 milhões nas eleições deste ano. Segundo a fundadora Hannah Fertig, estrategista política judia que trabalhou em campanhas do senador Bernie Sanders, o objetivo é “adequar a política externa democrata à mudança de postura da base, especialmente quanto à guerra na Faixa de Gaza e ao envio incondicional de ajuda militar dos EUA a Israel”.
Vitórias nas primárias
Impulsionados pelo novo financiamento, nomes do DSA já derrubaram adversários estabelecidos nas primárias democratas. No Colorado, Melat Kiros, 29, superou a deputada Diana DeGette e tornou-se candidata do partido ao 1º distrito para a Câmara dos Representantes nas midterms de novembro.
Em Nova York, Claire Valdez e Darializa Avila Chevalier derrotaram congressistas mais ao centro, ampliando o espaço socialista na legenda. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, é atualmente o rosto mais conhecido do grupo.
Doação contestada
A atuação do American Priorities provocou atritos internos. De acordo com a CNN, democratas moderados questionam o apoio porque o comitê recebeu US$ 625 mil do empresário texano de origem palestina Hussein Sam Mahrouq, apontado como megadoador republicano alinhado ao movimento MAGA. Em 2024, Mahrouq contribuiu com US$ 125 mil para as campanhas do governador Greg Abbott e do vice-governador Dan Patrick, ambos republicanos.
Reação republicana
Na última semana, o presidente Donald Trump declarou na rede Truth Social que “o comunismo é a maior ameaça aos Estados Unidos” desde os principais conflitos do século XX. Durante as comemorações dos 250 anos da independência, reiterou que a ameaça deve ser “extirpada como um câncer”.
Joe Gruters, presidente do Comitê Nacional Republicano, afirmou que as midterms representarão uma escolha “entre extremismo e bom senso” e classificou Mamdani, Chevalier e Graham Platner – candidato democrata ao Senado – como “novas faces da tomada de poder pelos socialistas radicais”.
Análise sobre o impacto interno
Para a especialista em finanças e tributação Adriana Melo, ouvida pela Gazeta do Povo, o avanço do DSA não significa que o Partido Democrata tenha se tornado majoritariamente socialista, mas evidencia que o grupo soube explorar brechas em grandes centros urbanos, onde há eleitorado jovem, alto custo de vida e rejeição à política tradicional.
Melo destacou que, em Nova York, o melhor desempenho dos socialistas ocorreu em áreas de renda mais alta. Ela também ressaltou a composição diversificada do DSA, que reúne muçulmanos progressistas, judeus críticos ao governo israelense e lideranças negras cristãs alinhadas à justiça social. Segundo a analista, o surgimento do American Priorities demonstra que o apoio incondicional a Israel tende a “custar mais caro” politicamente dentro do partido.
Com informações de Gazeta do Povo