Évian (França) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, na tentativa de reverter as restrições impostas pela União Europeia às exportações brasileiras de carne e aço.
O encontro ocorreu à margem da cúpula do G7, que termina nesta quarta-feira (17). Segundo nota do Palácio do Planalto, os três dirigentes concordaram em buscar uma solução “por meio do diálogo” entre o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e a Comissão Europeia.
Antibióticos na mira de Bruxelas
A UE excluiu o Brasil, poucos dias após 1º de maio, da lista de países autorizados a vender carne ou produtos de origem animal ao bloco, alegando preocupações com o uso de antibióticos na pecuária. A medida, que entra em vigor em 3 de setembro, afetará exportações de frango, ovos e outros itens que movimentam cerca de US$ 1,8 bilhão ao ano (aproximadamente € 1,55 bilhão).
As regras europeias proíbem antibióticos para acelerar o ganho de peso dos animais e restringem o emprego de antimicrobianos reservados a tratamentos humanos. Para retomar o acesso ao mercado, o Brasil precisará comprovar conformidade com essas normas.
Acordo Mercosul-UE em segundo plano
Durante a conversa, Lula, Von der Leyen e Costa afirmaram que eventuais ajustes deverão considerar “as preocupações europeias” – como saúde, fitossanidade e proteção da indústria siderúrgica – e “os legítimos interesses dos exportadores brasileiros”, previstos no acordo comercial Mercosul-União Europeia.
O tratado, concluído após 25 anos de negociações, foi assinado em janeiro de 2026 e começou a valer provisoriamente em 1º de maio. A ratificação definitiva ainda depende dos parlamentos dos 27 Estados-membros e dos países do Mercosul.
Mensagem otimista dos europeus
Em publicações idênticas nas redes sociais, Von der Leyen e Costa não citaram as diferenças sobre antibióticos. Ambos classificaram o acordo como “ponto de partida” e ressaltaram que Brasil e União Europeia compartilham visão comum sobre abertura comercial, energia limpa, inovação e ação climática.
As discussões entre Brasília e Bruxelas prosseguirão nas próximas semanas, com a expectativa de se chegar a um entendimento antes de setembro.
Com informações de Gazeta do Povo