Brasília – Relatórios da Polícia Federal enviados ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça indicam que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou jatos particulares e teve despesas de hospedagem em Lisboa arcadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. O material teve o sigilo levantado nesta terça-feira (16).
Segundo a PF, mensagens de WhatsApp analisadas no inquérito mostram Motta listado como passageiro de aeronaves ligadas ao empresário. Em uma das conversas, aparecem ainda o senador Ciro Nogueira, um empresário identificado apenas como Fábio e outras pessoas em dois voos diferentes. Outro diálogo menciona o grupo “DV + Fabio + Hugo + Ciro Nogueira” aguardando confirmação de deslocamento.
Hospedagem no Four Seasons Lisboa
Os investigadores também levantaram gastos de uma viagem a Lisboa, em junho de 2024. Em 18 de junho, Vorcaro solicitou a um assessor a reserva de quartos no Hotel Four Seasons. Ao ser questionado sobre os hóspedes, respondeu: “Meu. Pega aquele quarto maior. (…) Preciso de mais dois quartos lá. Ciro e Hugo”.
Seis dias depois, o operador confirmou: “Ciro e Hugo cada um tem uma JR. Suite”. Documento localizado pela PF registra cinco diárias somando 3.155,71 euros, cerca de R$ 20.038,76.
Áudio anexado à investigação revela preocupação de Vorcaro com a privacidade do encontro em Lisboa. Ele pede controle rígido de acesso e envia lista de convidados que incluía Motta, Ciro Nogueira, um deputado do PP do Rio de Janeiro e um empresário. De acordo com a PF, apenas Motta e Ciro efetivamente ficaram hospedados no hotel.
Posicionamento do presidente da Câmara
Em conversa com jornalistas nesta terça (16), Hugo Motta declarou ter “muita tranquilidade” em relação às apurações. “Os órgãos de fiscalização estão trabalhando, eu tenho tranquilidade sobre as minhas relações e defendo que as investigações possam acontecer”, afirmou.
Sobre a estadia em Lisboa, o deputado disse ter participado de “um evento jurídico tradicional” e não ver problema no custeio. Até o momento, Motta não é formalmente investigado. A PF procura esclarecer se os benefícios oferecidos por Vorcaro configuram vantagens indevidas ou tentativa de influência sobre agentes públicos.
Com informações de Gazeta do Povo