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Operações dos EUA revelam vulnerabilidade de defesas aéreas chinesas na Venezuela e no Irã

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Washington – As ações militares conduzidas pelos Estados Unidos na Venezuela e no Irã expuseram fragilidades em radares e mísseis de fabricação chinesa, gerando questionamentos sobre a real capacidade dos equipamentos vendidos por Pequim a aliados estratégicos.

Falhas na captura de Nicolás Maduro

Em janeiro, durante a operação que terminou com a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, as Forças Armadas dos EUA mobilizaram mais de 150 aeronaves sem serem detectadas pelos sistemas antiaéreos de Caracas. Entre os aparelhos inoperantes estavam os radares chineses JYL-1, JY-11 e JY-27A, adquiridos na última década.

Relatório da Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China (USCC) apontou que o radar JY-27A, anunciado como “antifurtividade” e capaz de localizar caças F-22 e F-35, não identificou nenhuma aeronave norte-americana. Autoridades militares dos EUA informaram que recursos de guerra cibernética e espacial abriram um corredor até a capital, neutralizando totalmente a defesa aérea venezuelana.

Dados do ChinaPower Project, ligado ao Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), mostram que entre 2010 e 2020 a China respondeu por 16,4% das compras militares da Venezuela, atrás apenas da Rússia (59,6%). No mesmo intervalo, 85,8% das exportações bélicas chinesas para a América Latina tiveram como destino o regime chavista.

Sistema HQ-9B falha em Teerã

O Irã, outro grande cliente de armas chinesas, integrou baterias de mísseis HQ-9B ao seu escudo aéreo em julho de 2025, numa troca de petróleo por armamento para contornar sanções ocidentais. Mesmo operando ao lado de S-300 russos e plataformas nacionais como o Bavar-373, o conjunto não impediu bombardeios simultâneos dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro de 2026, que atingiram mais de 20 províncias, destruíram instalações militares e mataram líderes do regime, entre eles o aiatolá Ali Khamenei.

Fontes da inteligência árabe, citadas pelo jornal Middle East Eye, afirmam que nenhuma das baterias HQ-9B instaladas ao redor de Teerã conseguiu interceptar os ataques.

Precedente no Paquistão

Em maio de 2025, durante a Operação Sindoor, lançada pela Índia após um atentado na Caxemira, o Paquistão — que importa cerca de 80% de seu material bélico da China — também relatou problemas nos radares YLC-8E e nas baterias HQ-9. Mísseis BrahMos indianos teriam cruzado o espaço aéreo paquistanês e atingido alvos estratégicos sem enfrentar resistência efetiva, segundo relatos da imprensa de Nova Délhi.

Impacto na imagem da indústria bélica chinesa

Atualmente quinto maior exportador de armas do mundo, com 4,79% do mercado global entre 2000 e 2024, a China mantém presença militar ou de segurança privada em 48 países, de acordo com estudo da RAND Corporation. Especialistas afirmam que a sequência de falhas abre brecha para que compradores revisem contratos e busquem alternativas.

Questionado dias após a captura de Maduro, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, evitou comentar o desempenho dos equipamentos e limitou-se a condenar a operação norte-americana por violar a soberania venezuelana.

Por ora, clientes de Pequim, como Venezuela, Irã e Paquistão, avaliam ajustes em suas defesas aéreas, enquanto observadores internacionais acompanham o impacto dessas revelações sobre futuras vendas de armamentos chineses.

Com informações de Gazeta do Povo