Gran Canaria, Espanha – Papa Leão XIV concluiu nesta quinta-feira (11.jun.2026) sua viagem à Espanha pedindo um “exame de consciência” global sobre a crise migratória durante visita ao porto de Arguineguín, no sudoeste da ilha de Gran Canaria. O local, que ficou conhecido como “doca da vergonha” em 2020 após abrigar mais de 2,6 mil pessoas ao ar livre, foi apresentado pelo pontífice como um “cais de esperança”.
Apelo por rotas seguras
Diante de fiéis, voluntários, autoridades e sobreviventes de travessias, Leão XIV afirmou que a dignidade humana “exige rotas legais e seguras, resgate efetivo e programas de integração”, além de políticas que possibilitem às populações permanecer em seus países sem guerra, fome ou perseguição. “Não basta contar mortos depois que já morreram”, advertiu.
Responsabilidades compartilhadas
O papa dirigiu mensagens específicas a países de origem, trânsito e destino:
- Origem – devem garantir paz, justiça e desenvolvimento;
- Trânsito – não podem deixar migrantes nas mãos de redes criminosas;
- Europa – não deve se acostumar a ver o Mediterrâneo e o Atlântico como “cemitérios sem lápides”.
A comunidade internacional, disse, precisa de “cooperação perseverante” para combater o tráfico de pessoas.
Testemunhos no cais
Antes do discurso, o pontífice ouviu relatos como o do capitão de resgate Tito Villarmea, que em 18 anos salvou mais de 20 mil vidas, e o da voluntária María Reyes Alemán, da Cáritas, que destacou a importância de “estar presente” para quem chega. Uma carta de Blessing, nigeriana vítima de tráfico sexual, foi lida para denunciar promessas enganosas que transformam sonhos em exploração.
Números da rota atlântica
Segundo o Ministério do Interior espanhol, 10.224 migrantes chegaram irregularmente ao país entre 1.º de janeiro e 31 de maio, queda de 35,2% em relação ao mesmo período de 2025. Já as entradas terrestres em Ceuta e Melilla cresceram 210%, alcançando 2.366 pessoas. A ilha de El Hierro recebeu mais de 50 mil chegadas irregulares desde 2020, com pico em 2024.
Gestos finais
Após a fala, Leão XIV lançou flores ao mar em memória dos que morreram na travessia e abençoou uma cruz erguida no porto como memorial permanente. No dia 4 de julho, o pontífice planeja levar mensagem semelhante à ilha italiana de Lampedusa.
Com informações de Gazeta do Povo