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Flávio Bolsonaro pede nos EUA adiamento de tarifa de 25% e tenta neutralizar discurso de soberania de Lula

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Washington (EUA), 7 jul. 2026 – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, solicitou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que adie por 180 dias a aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em audiência pública realizada nesta terça-feira (7), ele alegou que a cobrança, prevista para entrar em vigor em 15 de julho, fortalece politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao sustentar o discurso petista de defesa da soberania nacional.

“Uma sobretaxa agora penaliza toda a população brasileira, menos as autoridades responsáveis pelas decisões que motivaram a investigação”, declarou o parlamentar. Para ele, aguardar o resultado das eleições de outubro abriria possibilidade de “um cenário político completamente diferente” e facilitaria nova negociação comercial.

Defesa do Pix

O USTR também examina o impacto do Pix sobre empresas norte-americanas de pagamentos. Flávio rejeitou críticas ao sistema brasileiro, classificando-o como mecanismo de inclusão financeira que não afeta concorrentes dos EUA. “O Pix não é um problema a ser corrigido. É uma solução”, afirmou.

Documento à Casa Branca

Antes da viagem, o senador enviou carta à Casa Branca prometendo, se eleito:

  • indicar imediatamente um negociador para tratar das acusações de comércio desleal;
  • não integrar o Pix a sistemas de países “não ocidentais”;
  • reduzir tributos sobre cartões de crédito, medida que, segundo ele, beneficiaria empresas dos EUA;
  • buscar acordo bilateral de comércio, diminuindo a dependência em relação ao Mercosul;
  • usar eventual maioria oposicionista no Senado para abrir processos de impeachment contra ministros do STF ligados a decisões que envolvem plataformas norte-americanas.

Estratégia eleitoral

A ida aos Estados Unidos foi articulada pela pré-campanha do PL para esvaziar o uso eleitoral que Lula faz do “tarifaço”. Dirigentes do partido avaliam que a cobrança virou ativo político do governo ao ser apresentada como agressão externa à soberania brasileira.

Governo fica à distância

O Palácio do Planalto optou por não enviar representante oficial à audiência, limitando-se a acompanhar o encontro com observadores da Embaixada do Brasil. A chancelaria entende que compartilhar a mesa de debates daria a Flávio status de interlocutor legítimo nas tratativas comerciais, prerrogativa do Executivo.

Nos bastidores, auxiliares de Lula admitem que será difícil evitar o início da tarifa em 15 de julho, mas a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) sustenta que ainda há espaço para acordo. O presidente da entidade, Abrão Neto, alerta que novas tarifas prejudicariam consumidores norte-americanos e reduziriam a competitividade das exportações brasileiras.

Com informações de Gazeta do Povo