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Andy Burnham desponta como favorito para liderar trabalhistas e pode ser primeiro premiê britânico assumidamente católico

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Londres – A renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer, anunciada nesta segunda-feira (22), deflagrou uma disputa interna no Partido Trabalhista que tem Andy Burnham como principal candidato a assumir a legenda e, por consequência, o governo do Reino Unido.

Recém-eleito deputado por Makerfield, no noroeste da Inglaterra, Burnham confirmou que concorrerá à liderança partidária. Pelo fato de os trabalhistas deterem maioria na Câmara dos Comuns, o vencedor do processo interno se tornará primeiro-ministro automaticamente.

Trajetória política

Nascido em Liverpool em 1970, o político filiou-se ao Partido Trabalhista aos 15 anos, motivado pelo impacto das greves durante o governo Margaret Thatcher. Graduado em Literatura Inglesa pela Universidade de Cambridge, ingressou no Parlamento em 2001 e ocupou pastas como Saúde, Cultura e Tesouro nos governos de Tony Blair e Gordon Brown.

Em 2017, deixou Westminster para disputar a prefeitura da Grande Manchester. À frente da região por nove anos, ganhou notoriedade ao retomar o controle público do sistema de ônibus – iniciativa inédita na Inglaterra em quatro décadas – e por cobrar maior investimento federal no norte do país. O embate com o então premiê Boris Johnson durante a pandemia reforçou sua imagem de defensor dos interesses regionais, rendendo-lhe o apelido de “Rei do Norte”.

Identidade católica

Filho de família de origem irlandesa, Burnham estudou em escolas católicas, foi coroinha e mantém pública ligação com a fé. Caso vença a disputa, será o primeiro chefe de governo da era moderna a declarar-se abertamente católico enquanto exerce o cargo. Os últimos líderes britânicos se identificaram como anglicanos, ateus ou, no caso do conservador Rishi Sunak, hindus.

Apesar da formação religiosa, Burnham já divergiu de posições tradicionais da Igreja, apoiando debates sobre morte assistida e temas de sexualidade. Em 2023, visitou o Vaticano e se encontrou com o papa Francisco, a quem descreveu como voz de “igualdade, compaixão e humanidade”.

Cenário interno e calendário da eleição

A ascensão de Burnham ocorre em meio à queda de popularidade dos trabalhistas e ao avanço do Reform UK, de Nigel Farage. A vitória dele na eleição suplementar de Makerfield, na semana passada, foi vista dentro do partido como sinal de capacidade para conter o crescimento da direita nacionalista.

O processo para escolher o novo líder trabalhista começa em 9 de julho, e a expectativa é de que o resultado seja anunciado até setembro.

Com informações de Gazeta do Povo