O Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) divulgou nesta segunda-feira (22) relatório que aponta a população cubana como a principal requerente de refúgio no Brasil em 2025, superando pela primeira vez os venezuelanos.
Segundo o documento, o país registrou 75.599 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado no ano passado. Desse total, 41.919 pedidos foram apresentados por cidadãos de Cuba, volume que representa 55,4% do movimento geral e marca crescimento de 88,1% em relação a 2024.
Escalada da crise em Cuba
A virada ocorreu em meio a uma grave crise energética que se somou à já delicada situação econômica da ilha. Nos últimos anos, a população enfrenta falta de alimentos, combustíveis e medicamentos, além do avanço da violência e de restrições às liberdades civis.
Atualmente, salários e benefícios pagos pelo governo cubano equivalem a cerca de US$ 15 (aproximadamente R$ 75), enquanto uma cesta básica no mercado informal pode superar US$ 200 (cerca de R$ 1.000).
Sanções e pressão internacional
Em maio de 2026, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou sanções contra o regime de Havana e mirou estruturas financeiras ligadas aos militares, como o conglomerado GAESA. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou em entrevista à rede Fox News que “cubanos estão literalmente revirando lixo para comer”, enquanto recursos permanecem concentrados em setores controlados pelo governo.
Até 2024, os venezuelanos lideravam a lista de pedidos de refúgio no Brasil. Com a escalada da crise cubana, essa posição passou a ser ocupada pelos cidadãos da ilha caribenha, que agora formam a maior comunidade solicitante de proteção no país.
Com informações de Gazeta do Povo