Gaza, 31 de julho de 2026 – O integrante do escritório político do Hamas Ghazi Hamad afirmou nesta sexta-feira (31) que o grupo só iniciará o processo de desarmamento acertado com o Conselho da Paz, mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depois que Israel cumprir uma série de exigências.
Em entrevista à emissora norte-americana CNN, Hamad declarou que “o acordo é um pacote” e que nenhuma ação será tomada “até que Israel implemente esses compromissos”. Segundo ele, caso as condições não sejam atendidas, o Hamas não prosseguirá com a entrega de armas.
Condições impostas pelo Hamas
O dirigente detalhou quatro pontos considerados indispensáveis:
- cessar-fogo imediato;
- fim das operações de eliminação seletiva em Gaza;
- retirada das tropas israelenses para além da chamada Linha Amarela, que abrange cerca de 50% do território do enclave;
- aumento do fluxo de ajuda humanitária.
Hamad acrescentou que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), composto por tecnocratas palestinos indicados pelo Conselho da Paz, deverá assumir a gestão do território antes de receber o armamento atualmente sob controle da força policial do Hamas. O arsenal pesado, disse ele, não será destruído, mas armazenado sob supervisão do NCAG.
Desconfiança em relação a Israel
O representante do Hamas manifestou ceticismo quanto ao cumprimento dos termos por parte de Israel. Segundo Hamad, a etapa anterior do cessar-fogo foi marcada por “centenas ou milhares de violações”. Ele cobrou que os fiadores do entendimento – Estados Unidos, Catar, Turquia e Egito – garantam a aplicação integral do acordo.
Reações em Israel
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não se pronunciou oficialmente. Um funcionário de seu governo disse à CNN que as Forças de Defesa de Israel não se retirarão além da Linha Amarela antes da completa desmilitarização do Hamas.
Na ala mais à direita do governo, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, rejeitou o arranjo. De acordo com a imprensa israelense, ele afirmou que a proposta divulgada pelo Conselho da Paz é “inaceitável para Israel” e que interromper as operações contra o Hamas significaria permitir que o grupo se reorganize para “um próximo massacre”.
Anúncio de Trump
O pacto foi tornado público na quinta-feira (30) por Donald Trump em sua rede Truth Social. O ex-presidente informou que, à medida que o desarmamento avançar, as forças israelenses se retirarão de Gaza, enquanto uma Força Internacional de Estabilização e uma nova polícia palestina assumirão a segurança do enclave.
Não há, até o momento, um cronograma oficial para o início das etapas previstas.
Com informações de Gazeta do Povo