São Paulo – O Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirmou nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, que seis fintechs vêm sendo usadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e por outras facções para ocultar recursos obtidos com tráfico de drogas, armas e adulteração de combustíveis. A constatação decorre da Operação Fluxo Oculto, desencadeada no mesmo dia em cinco estados.
Operação em cinco estados
Mandados foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, que já havia identificado três fintechs a serviço do PCC. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), depois daquela ofensiva a facção reorganizou sua estrutura financeira e passou a utilizar seis empresas digitais, ampliando as camadas de disfarce para o dinheiro ilícito.
Quatro frentes de fraude
O promotor João Paulo Gabriel explicou que a investigação se apoia em quatro eixos:
1) uso de contas-bolsões que concentram valores de vários clientes, prática proibida pelo Banco Central desde 2025;
2) movimentação não declarada: três fintechs não prestaram informações à Receita Federal, enquanto outras três admitiram ter girado cerca de R$ 8 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025;
3) criação de fintechs de fachada em nome de laranjas, com capital formado por títulos sem lastro;
4) compartilhamento simultâneo dessas plataformas por diferentes organizações criminosas.
Fluxo bilionário identificado
O Gaeco estimou a transferência de R$ 4 bilhões das empresas já investigadas anteriormente para as novas fintechs. No total, as companhias sob apuração movimentaram R$ 26 bilhões, parte em espécie. A Receita Federal relatou que algumas delas chegaram a operar R$ 1 bilhão em dinheiro vivo, e uma realizou transações de até R$ 1 milhão diretamente em cédulas.
Adulteração de combustíveis se espalha
Além da lavagem de dinheiro, a operação avançou sobre o esquema de adulteração de combustíveis descoberto em 2025. De acordo com o promotor Yuri Fisberg, depois da Carbono Oculto, empresas ligadas à fraude abriram novas companhias de fachada, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, simulando compras milionárias de nafta enquanto o produto era entregue em postos da capital e da Grande São Paulo. Terminais terrestres ligados ao esquema já foram lacrados.
Autoridades sustentam que as brechas regulamentares que facilitavam a atuação dessas fintechs foram reduzidas, mas ainda exigem vigilância constante para impedir o uso do sistema financeiro digital por organizações criminosas.
Com informações de Gazeta do Povo