Especialistas alertam que o fim da escala 6×1 — sistema que prevê seis dias de trabalho para um de descanso — tende a pressionar o mercado de trabalho brasileiro de forma semelhante ao que ocorreu com a PEC das Domésticas, aprovada em 2013. À época, a formalização no setor doméstico encolheu quase 30% após o aumento repentino dos encargos para os empregadores.
Referência à PEC das Domésticas
Desde 2013, quando a Emenda Constitucional ampliou os direitos dos empregados domésticos, o número de trabalhadores com carteira assinada no segmento caiu quase um terço. O salto nos custos, segundo analistas, empurrou muitos profissionais para a informalidade ou resultou na eliminação de vagas.
Projeção de custos para as empresas
Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimam que a eliminação da escala 6×1 elevaria o custo da hora trabalhada em até 22%. Sem ganhos de produtividade que compensem esse acréscimo, a folha de pagamento poderia ficar cerca de 7% mais cara, atingindo principalmente pequenos e médios negócios.
Risco de repasse ao consumidor
Analistas financeiros e representantes do setor produtivo preveem a possibilidade de alta de preços. Segmentos intensivos em mão de obra, como hotéis, restaurantes e comércio, tendem a repassar parte das novas despesas operacionais aos consumidores, o que pressionaria a inflação.
Desafio para pequenas e médias empresas
Diferentemente da PEC das Domésticas, que impactou majoritariamente famílias empregadoras, o fim da jornada 6×1 atingiria quase todo o universo empresarial. Pequenas e médias empresas, com menor capacidade de reorganizar escalas de maneira rápida, podem ser forçadas a reduzir quadros ou até encerrar atividades.
Produtividade abaixo dos países desenvolvidos
Em nações ricas, jornadas mais curtas são viáveis porque a produtividade por trabalhador é elevada. Especialistas observam que, no Brasil, impor redução de horas sem antes elevar a eficiência pode estrangular margens, incentivar demissões e frear o crescimento econômico.
A proposta de eliminar a escala 6×1 ainda não tem data para votação, mas segue no centro do debate trabalhista devido aos potenciais impactos sobre emprego, preços e competitividade.
Com informações de Gazeta do Povo