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EUA ampliam sanções a três empresas ligadas ao conglomerado militar Gaesa em Cuba

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Washington, 23 de junho de 2026 – O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (23) novas sanções econômicas contra cinco pessoas jurídicas de Cuba, entre elas três controladas pelo Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), braço econômico das Forças Armadas cubanas.

Empresas atingidas

Entraram na lista negra norte-americana a companhia de logística e armazenamento Almacenes Universales S.A. e as instituições financeiras Rafin S.A. e Banco Financiero Internacional (BFI), todas sob a tutela da Gaesa. As punições incluem congelamento de ativos sob jurisdição dos EUA e proibição de transações com cidadãos ou empresas norte-americanas.

As restrições aprofundam a ofensiva iniciada em maio, quando o governo dos Estados Unidos sancionou diretamente a própria Gaesa e a sua presidente-executiva, a general Ania Guillermina Lastres Morera. Na ocasião, o órgão classificou o conglomerado como “o coração do sistema comunista cleptocrático de Cuba”.

Origem e alcance do conglomerado

Criada em 1995 pelo então vice-comandante do regime, Raúl Castro, durante o “Período Especial” – crise econômica que sucedeu a dissolução da União Soviética –, a Gaesa consolidou-se como principal centro de poder econômico da ilha. De acordo com o Departamento de Estado, a receita anual do grupo equivale a mais de três vezes o orçamento oficial do país e pode controlar até US$ 20 bilhões em ativos considerados ilícitos.

Domínio de setores estratégicos

Estudo divulgado em dezembro de 2025 pela Escola de Direito da Universidade de Columbia, com base em demonstrativos obtidos pelo jornal El Nuevo Herald, apontou que a Gaesa domina os ramos mais lucrativos da economia cubana:

  • Turismo – por meio da operadora Gaviota;
  • Varejo e atacado – pelas redes Cimex e TRD Caribe;
  • Sistema financeiro – via Rafin S.A. e BFI;
  • Remessas, logística, porto de Mariel, construção, transporte e comércio exterior.

Segundo o levantamento, as exportações de bens e serviços do conglomerado representam 34% do total comercializado por Cuba no exterior; somente em serviços, a fatia sobe para 41%. As reservas líquidas do grupo somam US$ 14,5 bilhões. Apesar dessa robustez, a Gaesa não é auditada pelo Ministério Público nem presta contas à Assembleia Nacional, funcionando como uma “estrutura paralela” ao Estado civil.

Crise interna versus lucros do grupo

O relatório da Columbia ressalta que, mesmo diante de escassez de alimentos, apagões, inflação elevada, inadimplência da dívida externa e colapso cambial, o conglomerado mantém resultados positivos, financia novos hotéis e acumula superávits em divisas.

Posição do governo dos EUA

Em pronunciamento recente, o secretário de Estado americano Marco Rubio afirmou que “Cuba é controlada pela Gaesa”, descrevendo o conglomerado como “um Estado dentro do Estado” que desviaria parte da ajuda humanitária destinada à população para venda em suas próprias lojas. O Departamento de Estado sustenta que cerca de 40% da economia cubana está sob influência direta da Gaesa e acusa a cúpula militar de guardar lucros em contas secretas no exterior, enquanto os serviços públicos enfrentam subinvestimento crônico.

As novas sanções entram em vigor imediatamente e fazem parte da estratégia de Washington de pressionar financeiramente a elite dirigente cubana, na expectativa de reduzir os recursos disponíveis para o regime.

Com informações de Gazeta do Povo