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Governo prepara Desenrola 2.0 com permissão para usar FGTS na quitação de dívidas

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Brasília — 27 de abril de 2026. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se nesta segunda-feira (27) com representantes dos maiores bancos do país para acertar os detalhes do Desenrola 2.0, nova etapa do programa de renegociação de dívidas que deverá ser anunciada ainda nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo Durigan, a principal novidade será a possibilidade de o devedor utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar obrigações em atraso. “Agora a possibilidade de uso do FGTS é para pagar a dívida. Você não está se endividando a partir do FGTS; ao contrário, está quitando”, declarou o ministro após o encontro.

Limites para o saque

O governo estipulará um teto para o valor a ser retirado do FGTS, limitado a um percentual do saldo de cada trabalhador e vinculado exclusivamente ao pagamento das dívidas incluídas no programa. O montante liberado não poderá superar o valor devido, explicou Durigan.

Participação dos bancos

Participaram da reunião o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, e executivos do BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco, Nubank e Citibank. De acordo com o ministro, as conversas estão na fase final e o pacote será levado ao Palácio do Planalto para chancela de Lula nos próximos dias.

Juros reduzidos e descontos

O Desenrola 2.0 contará com aporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para cobrir eventuais inadimplências. Em troca, as instituições financeiras deverão oferecer taxas de juros bem inferiores às praticadas em crédito pessoal, cartão de crédito e cheque especial, que hoje variam de 6% a 10% ao mês. Durigan disse que os descontos concedidos poderão chegar a 90% do valor original da dívida.

Endividamento em nível recorde

Dados do Banco Central indicam que o endividamento das famílias brasileiras alcançou 49,9% da renda em fevereiro de 2026, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2005. O ministro classificou o programa como uma medida “pontual” diante do cenário excepcional causado por fatores externos, reforçando que não se trata de um refinanciamento recorrente.

Durigan afirmou que, com as definições fechadas nesta segunda, retornará a Brasília para apresentar a versão final do Desenrola 2.0 ao presidente. O objetivo é lançar o plano antes do fim da semana.

Com informações de Gazeta do Povo