O Partido dos Trabalhadores (PT) colocou no ar o site Pode Espalhar, plataforma que oferece um curso gratuito destinado a filiados, simpatizantes e voluntários interessados em atuar como “porta-vozes de Lula” nas redes sociais. A iniciativa, divulgada em 27 de abril de 2026, tem como objetivo defender ações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva — candidato à reeleição em outubro — e confrontar conteúdos produzidos por grupos de direita.
Treinamento, linguagem padronizada e suporte jurídico
O curso reúne vídeos, imagens, panfletos para impressão e tutoriais que orientam o compartilhamento em WhatsApp, Instagram, Facebook, X (antigo Twitter), TikTok, Kwai e YouTube. Todo o material traz legendas prontas e opções de download direto. O pacote inclui ainda orientações jurídicas para reduzir riscos de processos envolvendo publicações políticas.
Para participar, o interessado preenche um formulário indicando como pretende colaborar: recebimento de conteúdo por e-mail, ingresso em grupos de WhatsApp ou participação em oficinas presenciais e on-line. Após o cadastro, uma equipe do partido entra em contato para alinhar os próximos passos.
Duas categorias de militância digital
O site descreve duas frentes de engajamento. A função Porta-voz do Lula é voluntária. Já o posto de Embaixador ou Embaixadora prevê “recompensas” — não detalhadas — para quem ajudar a atrair novos participantes e disseminar conteúdos sobre políticas do governo federal e “defesa da democracia”.
Estrutura do curso
O treinamento está dividido em três módulos:
- Porta-voz do Lula: introdução à disputa de narrativas, uso estratégico do WhatsApp e navegação na plataforma governamental ComunicaBR.
- Construção de redes e influência digital: técnicas para ampliar alcance, dialogar com diferentes públicos e interagir com influenciadores regionais.
- Estúdio de criação com inteligência artificial: produção de textos, vídeos curtos e peças visuais utilizando ferramentas de IA.
Manual orienta críticas e cuidados legais
Além dos tutoriais, o PT disponibiliza um manual que sugere ataques duros a Jair Bolsonaro (PL) e outras lideranças de direita, recomenda o uso de ironia e compara gestões anteriores com a atual. O documento aconselha militantes a reformular acusações diretas em opiniões (“na minha visão, essa conduta é corrupta”) e a preservar provas digitais de eventuais disputas judiciais.
Questionamentos sobre ética e transparência
Analistas ouvidos pela reportagem apontam que o projeto reflete uma “evolução sofisticada” do modelo que, no passado, petistas chamavam de “gabinete do ódio”. Para o cientista político Alexandre Bandeira, a mobilização de um “exército de CPFs” amplia o alcance do discurso governista e confere aparência de espontaneidade à estratégia. Ele vê risco de questionamentos por possível abuso de poder político ou uso de recursos públicos.
O também cientista político Elias Tavares acrescenta que a legitimidade da iniciativa depende da clareza sobre sua origem partidária. Segundo ele, ações coordenadas que se passam por orgânicas podem gerar uma falsa impressão de consenso na opinião pública.
Procurado, o PT não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre custos do projeto e eventuais fontes de financiamento até o fechamento desta matéria.
Com informações de Gazeta do Povo