Gritos de “Sim à vida, não ao aborto!” e tambores comandados por estudantes marcaram, no fim de semana, a Marcha pela Vida, realizada nas ruas centrais da Cidade do México. O ato, ocorrido um dia após o 19º aniversário da lei que liberou o aborto até a 12ª semana de gestação na capital, reuniu mais de 2 mil manifestantes, segundo os organizadores.
Os participantes começaram a chegar cedo ao Monumento à Revolução e seguiram em cortejo até a Assembleia Legislativa da Cidade do México. Muitas pessoas usavam lenços azuis, carregavam cartazes em defesa dos nascituros e entoavam slogans que ressaltavam o direito à vida.
Pressão sobre leis estaduais
Desde a aprovação da norma local em 24 de abril de 2007, a Secretaria de Saúde Pública da capital contabiliza quase 300 mil procedimentos de aborto até 2025. A medida abriu caminho para regras semelhantes em outras regiões: hoje, 24 dos 31 estados mexicanos possuem restrições mais flexíveis.
O avanço das mudanças ganhou força a partir de 2018, durante o governo do então presidente Andrés Manuel López Obrador. Com maioria do partido MORENA em diversas assembleias, 12 estados aprovaram a liberação do aborto. Na gestão seguinte, da também morenista Claudia Sheinbaum, alterações foram estendidas a Jalisco, Michoacán, San Luis Potosí, Zacatecas, Estado do México, Chiapas, Nayarit, Chihuahua, Campeche, Yucatán e Tabasco.
Vozes da geração pró-vida
A estudante Macarena Muñoz, 22 anos, afirmou que o objetivo do grupo é mostrar que “existem jovens em todo o país que querem mudar essas leis”. Para ela, proteger a vida “é requisito para qualquer outro direito”.
Vindos de pelo menos 20 cidades, manifestantes como Regina Hinojosa, 24, de Puebla, e Juan Pablo Perea, 21, de Michoacán, criticaram a falta de políticas que, segundo eles, beneficiem mães e bebês. “Se não fizermos nada agora, ninguém fará”, disse Perea.
No trajeto também marchou a deputada estadual de Querétaro Juliana Rosario Hernández Quintanar (PAN), autora de propostas como a criação do “Dia da Vida”. Ela defendeu novas leis que protejam “pessoas vulneráveis, inclusive os nascituros”.
Ao fim do percurso, um manifesto foi lido em palco improvisado. O texto declarou que a juventude pró-vida “não se vende, não se cala e não se rende”, comprometendo-se a continuar mobilizada até que a legislação volte a restringir o aborto.
Com informações de Gazeta do Povo