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Defesa de Bolsonaro recorre ao STF e cita precedentes de Lula para tentar afrouxar restrições

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Brasília — A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou nesta sexta-feira (24) um agravo regimental ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que pede a revisão de medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. Segundo os advogados, as restrições extrapolam a suspensão dos direitos políticos determinada após a recente condenação criminal e ferem a liberdade de expressão do ex-mandatário.

No recurso, os defensores recorrem a um paralelo com a situação vivida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enquanto estava preso em Curitiba, em 2018. Eles lembram que, mesmo cumprindo pena, Lula pôde:

  • divulgar cartas de cunho político;
  • indicar Fernando Haddad como candidato do PT ao Planalto;
  • receber visitas de lideranças nacionais e estrangeiras.

Para a equipe jurídica de Bolsonaro, o mesmo entendimento deveria valer agora, evitando “tratamento desigual” entre réus em condições semelhantes.

O que a defesa quer derrubar

O agravo contesta dois trechos da decisão de Moraes:

  1. Proibição de visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de 2026;
  2. Vedação à divulgação de manifestações político-eleitorais, inclusive por terceiros e em qualquer meio.

Os advogados afirmam que tais vedações não estão previstas no artigo 15, inciso III, da Constituição, que trata da suspensão de direitos políticos após condenação criminal. Para eles, o texto constitucional restringe somente atos eleitorais formais — como votar, ser votado ou exercer cargos partidários — e não autoriza a justiça a impedir opiniões ou manifestações de pensamento.

Crítica ao conceito de “visita político-eleitoral”

A defesa também classifica a expressão usada por Moraes como “juridicamente indeterminada”. Na avaliação dos advogados, a falta de critérios objetivos compromete a segurança jurídica e abre margem para interpretações subjetivas sobre quem poderia ou não visitar o ex-presidente.

Por fim, os autores do agravo pedem que o ministro reconsidere os termos da decisão. Caso contrário, solicitam que o recurso seja analisado pela Primeira Turma do STF.

Com informações de Gazeta do Povo