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Da carreira executiva à revolução fintech: como Cristina Junqueira criou o Nubank

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Em 2013, quando cinco grandes instituições controlavam mais de 80% do sistema financeiro brasileiro, a engenheira de produção Cristina Junqueira, então executiva de um desses bancos, decidiu romper com o modelo tradicional. Insatisfeita com tarifas altas, burocracia e o atendimento distante, ela se uniu ao colombiano David Vélez e ao americano Edward Wible para lançar o Nubank, fintech que se tornaria a maior instituição financeira do país em número de clientes.

Primeiros passos

A parceria nasceu depois de uma longa conversa entre Junqueira e Vélez sobre a criação de um banco focado no cliente — ponto que ambos consideravam negligenciado pelo setor. Poucos meses depois, o trio formalizou a fundação do Nubank.

Montar a operação exigiu superar barreiras regulatórias, obter aval do Banco Central e conquistar financiadores dispostos a apostar em um mercado dominado por um oligopólio. A estratégia prosperou: treze anos mais tarde, a empresa soma mais de 135 milhões de clientes, atua no Brasil, México e Colômbia e figura entre as fintechs mais valiosas da América Latina.

Trajetória profissional

Formada pela USP, Cristina Junqueira passou pelo Boston Consulting Group e concluiu MBA na Kellogg School of Management (EUA). Em 2014, poucos meses após o lançamento do Nubank, entrou em trabalho de parto ainda no escritório; conciliou a recuperação da cesariana com a rotina da startup. Hoje, aos 43 anos, vive nos Estados Unidos, onde estrutura a operação norte-americana do banco.

Reconhecimento e rotina

O sucesso a levou à lista das 25 mulheres mais influentes do mundo do Financial Times em 2024 e ao rol de bilionários brasileiros da revista Forbes. Mãe de quatro filhos — Alice, Bella, Anna e Léo —, Junqueira mantém agenda que começa antes das 6h, inclui exercícios diários e acompanhamento próximo das atividades escolares das crianças.

Cultura interna e inovação

Para entender falhas no serviço, ela atendeu pessoalmente clientes pelos canais de suporte durante mais de um ano. A experiência reforçou a convicção de que tecnologia precisaria vir acompanhada de atendimento simples e humano. O primeiro produto, um cartão de crédito sem anuidade gerenciado pelo aplicativo, inaugurou a proposta de reduzir a distância entre banco e usuário e abriu caminho para contas, investimentos, empréstimos e seguros. A meta de 100 milhões de clientes, prevista para cerca de uma década, foi batida antes do prazo.

Disciplina e detalhes

Recentemente convertida ao catolicismo, Junqueira diz que a fé passou a orientar decisões pessoais e profissionais. Conhecida pela atenção minuciosa, revisa apresentações estratégicas, e-mails e peças de comunicação, cobrando da equipe disposição para questionar processos e inovar.

Do impulso inicial em 2013 à consolidação atual, a executiva transformou a insatisfação com o sistema bancário em um projeto que redefiniu a relação de milhões de brasileiros com serviços financeiros.

Com informações de Gazeta do Povo