Pelo menos 75 projetos de data centers avaliados em cerca de US$ 130 bilhões foram cancelados ou adiados nos Estados Unidos entre janeiro e março de 2026 devido a mobilizações ambientalistas, aponta relatório do Data Center Watch, iniciativa da empresa 10a Labs divulgado em junho pela NBC News.
O estudo indica que o número representa o maior índice trimestral de interrupções desde o início do monitoramento em 2023. A resistência ocorre em meio ao crescimento da demanda por infraestrutura que sustenta serviços de nuvem, streaming e aplicações de Inteligência Artificial (IA).
Avanço de propostas legislativas
Segundo o levantamento, mais de 300 projetos de lei para suspender ou limitar a construção de novos data centers foram protocolados em legislativos estaduais norte-americanos nas seis primeiras semanas de 2026. Os textos apareceram em 14 estados e ganharam versão federal apresentada pelo senador Bernie Sanders (independente) e pela deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez.
Nenhuma dessas proposições virou lei até agora. No Maine, um projeto aprovado pelos parlamentares foi vetado em abril pela governadora democrata Janet Mills. Já em Nova York, a governadora Kathy Hochul assinou neste mês ordem executiva que congela por até um ano a emissão de licenças ambientais estaduais para grandes data centers, prazo em que pretende criar “estrutura regulatória pioneira” para proteger consumidores, meio ambiente e rede elétrica.
Republicanos também impõem barreiras
Parlamentares do Partido Republicano apresentaram iniciativas semelhantes. No Oklahoma e na Geórgia, projetos de lei propõem suspender temporariamente construções e retirar incentivos fiscais. Governos republicanos de Montana, Wyoming e Missouri aderiram ao Compromisso de Proteção ao Consumidor de Energia, lançado pela Casa Branca, exigindo que operadores dessas instalações arquem com parte dos custos de água, energia e melhorias na rede.
Em publicação na rede Truth Social, o presidente Donald Trump apoiou o acordo e criticou a moratória imposta por Nova York, afirmando que a decisão empurrará receitas e empregos para outros estados.
Risco à posição dos EUA em tecnologia
Em artigo para o think tank Atlantic Council, Jeannie Salo, CEO das consultorias Salo Strategic Advisors e Big Tent Energy, advertiu que a paralisação ameaça a liderança norte-americana em IA. “Os empregos, os fluxos de capital e a economia do futuro dependem da infraestrutura digital e energética que os Estados Unidos construírem hoje”, escreveu.
Especialistas defendem equilíbrio
Marcelo Teixeira, professor da Universidade Mackenzie Alphaville, destacou à Gazeta do Povo que data centers são peça-chave para serviços cotidianos e que proibi-los não resolve o problema no longo prazo. Ele sugere exigir maior eficiência energética, priorizar fontes renováveis, reaproveitar calor gerado pelos servidores e estabelecer metas de compensação ambiental.
Fernanda Brandão, professora da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, avaliou que o tema deve influenciar as eleições de meio de mandato marcadas para novembro. Segundo ela, parte dos políticos tentará atrair os investimentos com benefícios fiscais, enquanto outros canalizam a insatisfação pública com custos de energia, água e ruído dessas estruturas.
Com informações de Gazeta do Povo