Desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, o governo dos Estados Unidos já desembolsou US$ 26,7 bilhões para adquirir fatias acionárias em companhias consideradas vitais para a segurança nacional. A estratégia, segundo Washington, busca garantir o controle de cadeias produtivas de semicondutores, terras raras e inteligência artificial.
Quais empresas já têm o governo como sócio
A lista inclui uma participação de 9,9% na fabricante de chips Intel e 10% na mineradora USA Rare Earth. Também estão em curso negociações para que a OpenAI, criadora do ChatGPT, ceda 5% de suas ações ao Tesouro. Na siderúrgica U.S. Steel, a Casa Branca não comprou ações, mas obteve uma golden share, que assegura poder de veto em decisões ligadas a interesses nacionais.
Efeito no Brasil
O movimento repercute diretamente no mercado brasileiro. A USA Rare Earth, agora com o governo norte-americano no quadro societário, adquiriu por US$ 2,8 bilhões a mineradora Serra Verde, em Goiás — hoje a única produtora em larga escala de terras raras no país. Esses minerais são fundamentais para dispositivos eletrônicos, motores de veículos elétricos e equipamentos militares.
Por que optar por participação acionária
No entendimento atual em Washington, subsídios e isenções fiscais não bastam para competir com os preços praticados pela China, que controla cerca de 90% do mercado global de terras raras. Tornar-se sócio permite ao Estado dividir riscos financeiros, ocupar assentos nos conselhos de administração e priorizar decisões ligadas à defesa. Além disso, o governo passa a lucrar com a eventual valorização das empresas.
Riscos apontados por especialistas
Analistas alertam que a presença simultânea do governo como regulador, cliente e acionista pode gerar conflitos de interesse e politizar o setor privado. Um caso citado é o da Intel: dias depois de críticas públicas de Trump ao presidente da companhia, o acordo de compra de 9,9% das ações foi anunciado, seguido de elogios presidenciais.
Até o momento, a Casa Branca não sinalizou recuo na política de participação direta em empresas estratégicas, indicando que novos aportes podem ocorrer enquanto persistir a preocupação com cadeias de suprimentos críticas.
Com informações de Gazeta do Povo