O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado, 11, a conversão da prisão preventiva do pastor Márcio Poncio em prisão domiciliar. A medida foi tomada após análise de laudos médicos que apontam a necessidade de cuidados específicos em razão do estado de saúde do investigado.
Detido em 2 de julho durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, Poncio é suspeito de envolvimento com a chamada “máfia do cigarro”. As investigações indicam participação de políticos e empresários em esquema de fabricação e distribuição ilegal de cigarros.
Doença crônica motivou decisão
Na decisão, Moraes ressaltou que o pastor sofre de retocolite ulcerativa grave desde 2013. A enfermidade, descrita como inflamatória, crônica, imunomediada e sem cura conhecida, exige acompanhamento médico contínuo, o que, segundo o ministro, justifica a substituição da prisão preventiva pelo regime domiciliar.
Alvos da investigação
Conhecido como fundador da Igreja da Nuvem e empresário do setor de tabaco — fato que lhe rendeu o apelido de “pastor do cigarro” —, Márcio Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio.
O inquérito mira ainda Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”, apontado como líder do jogo do bicho no Rio de Janeiro e responsável pelo controle de cigarros ilegais na Região Metropolitana, com planos de expansão para outros estados. Adilsinho foi preso em fevereiro de 2026, em Cabo Frio, durante ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO).
Na mesma operação, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União), teve mandado de prisão cumprido e permanece detido desde março.
A mudança para o regime domiciliar representa mais um passo no processo que apura a ligação de figuras públicas com o crime organizado no mercado clandestino de cigarros.
Com informações de Folha Gospel