Um ataque aéreo israelense na noite de 29 de julho atingiu um prédio de apartamentos vizinho ao Hospital Árabe Al-Ahli, em Gaza, danificando as instalações administradas por cristãos e gerando pânico entre pacientes e profissionais de saúde, informou a Associação Católica de Assistência ao Oriente Próximo (CNEWA).
De acordo com Mousa Ayad, gerente do hospital, as explosões estilhaçaram janelas e portas, além de aumentar a pressão psicológica sobre quem já está em tratamento. “Isto é guerra, e ninguém sabe onde estará o próximo perigo. Mas, dado o papel humanitário e médico do hospital, não acreditamos que sejamos o alvo pretendido”, declarou ele à CNEWA.
O prédio atingido serve de abrigo para pessoas deslocadas. Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil de Gaza, relatou que as equipes de resgate demoraram a chegar ao local por temerem um segundo ataque. “O incêndio queimou por mais de 15 minutos antes que nossas equipes pudessem entrar”, disse. A falta de veículos de combate a incêndio, caminhões-pipa e combustível continua a dificultar as operações de emergência.
Sistema de saúde em colapso
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, quase 1.200 palestinos foram mortos e outros 3.900 ficaram feridos desde o cessar-fogo firmado em outubro de 2025. Ayad afirma que a rede hospitalar permanece sob condições críticas: faltam suprimentos, equipamentos e material descartável. “Milhares aguardam cirurgia, e muitos ainda precisam deixar Gaza para receber tratamento especializado”, explicou.
Série de incidentes anteriores
O Hospital Árabe Al-Ahli já foi alvo de outros bombardeios. Em 17 de outubro de 2023, uma explosão matou 500 pessoas e feriu centenas enquanto mais de 5.000 civis se abrigavam no local. Em junho de 2025, seis pessoas — incluindo quatro jornalistas — morreram em novo ataque, que deixou 30 feridos. Três meses depois, um míssil israelense caiu no pátio, matando uma pessoa e ferindo várias.
Fundada em 1926 pelo papa Pio XI, a CNEWA apoia o hospital há décadas e, desde janeiro de 2025, mantém parceria para fornecer serviços médicos de emergência à população de Gaza.
Com informações de Gazeta do Povo