Miami (EUA) – O arcebispo de Miami, Thomas Wenski, alertou que entre 40 e 50 funcionários haitianos vinculados a ministérios católicos locais podem perder o emprego com o vencimento das autorizações de trabalho para detentores do Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês). O prazo final para os documentos expirou em 27 de julho, após uma extensão automática decidida pela Justiça.
Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), cerca de 353 mil cidadãos haitianos mantêm o TPS nos Estados Unidos. Wenski pediu “soluções compassivas” para esse grupo, citando “violência generalizada, instabilidade política, colapso econômico e sofrimento humanitário” no Haiti como fatores que impedem o retorno seguro dessas pessoas.
Impacto imediato na Arquidiocese
A Catholic Health Services (CHS) – um dos maiores braços sociais da Arquidiocese de Miami e que emprega grande número de haitianos com TPS – avalia os efeitos das mudanças federais. “Estimamos que 40 a 50 colaboradores valiosos possam ser afetados, mas seguimos revisando caso a caso”, afirmou o arcebispo em nota divulgada em 24 de julho.
Wenski destacou que esses trabalhadores “cuidam dos doentes, confortam os idosos e servem os mais vulneráveis com dedicação”. Ele reiterou que a Igreja reconhece o direito de um país proteger suas fronteiras, mas também tem o dever de “defender a dignidade de cada pessoa humana”.
Decisão da Suprema Corte e impasse no Congresso
Em 25 de junho, a Suprema Corte dos EUA decidiu que o DHS pode encerrar o TPS para haitianos e sírios. Já a Câmara dos Deputados aprovou em abril o projeto H.R. 1689, que estenderia o benefício por mais três anos, mas a proposta permanece parada no Senado.
Preocupação também em Ohio
Bispos de Ohio, onde a cidade de Springfield abriga expressiva comunidade haitiana, também pediram a continuidade do TPS. A Conferência Católica de Ohio emitiu nota em junho solicitando ação urgente para proteger essas famílias.
Em entrevista ao programa “EWTN News Nightly” em 24 de julho, Casey Rollins, diretora executiva da St. Vincent de Paul de Springfield, declarou que a entidade já prepara ajuda para cobrir aluguel e contas de serviços públicos de haitianos que perderem o emprego. “Há anos precisamos de mais trabalhadores na região; a comunidade haitiana vinha ocupando muitas dessas vagas”, disse.
Com o prazo do TPS expirado, organizações católicas em vários estados correm para mitigar os impactos sociais e econômicos que podem recair sobre milhares de famílias haitianas.
Com informações de Gazeta do Povo